Como treinar cães surdos

cao surdoCães também podem ter problemas auditivos, alguns podem até nascem com surdez parcial ou total. Também há a possibilidade de quando envelhecem perderem gradativamente a audição. Para quem tem um cão em alguma destas situações a comunicação com o cão deve ser totalmente sinalizada.

Tendo em vista que cães se comunicam mais visualmente do que verbalmente, não é difícil educar um cão surdo, mas para isso você deve seguir algumas regrinhas básicas:

– ao treinar seu cão com linguagem de sinais, você mesmo pode criar cada sinal para cada tipo de comando, mas lembre-se de utilizar sempre o mesmo sinal para o comando solicitado;

– se precisar acordá-lo faça o toque na região do ombro de maneira gentil e sempre faça da mesma maneira, outra maneira é bater o pé no chão – no chão, ok? – assim ele sentirá a vibração do impacto e acordará;

– você pode utilizar uma lanterna laser e associar o ponto vermelho ao comando “aqui”. Quando você quizer que o cão venha até você basta direcionar o laser próximo a ele e trazer o ponto até você, assim que o cão se aproximar você paga com um petisco;

– existem alguns acessórios que podem auxiliar seu cão, coleiras “vibratórias” que vibram através de comando em um controle remoto, por exemplo;

– mas a principal dica é ter paciência. Um cão com deficiência auditiva deve ser educado como qualquer outro, já que os seus outros atributos com certeza estão intactos, mas requer um pouco mais de paciência que os demais.

Veja o vídeo abaixo que mostra um pouco do treinamento de um cão surdo:

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Educação

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Fui chamado numa casa
Pra um comportamento corrigir
E lá fui eu dizer a sua dona
Como ela, deveria agir.

O seu cão um vira lata
Bem sapeca e esperto
Não adiantava mais dar tapa
pois corria até no teto

Me sentei e conversando
Sua dona ia dizendo
Não aguento este desmando
O que será que to fazendo?

Nisso entrou uma garotinha
Já correndo e gritando
Na sua mão uma bonequinha
Olhou pro cão e foi jogando

Enquanto eu tentava
Tranquilamente explicar
A criança só gritava
E a mãe desesperada
O que sabia era gritar.

Tentei por varias vezes
O assunto retomar
Já era o cão e a criança
Bem na sala de estar.

Respirei fundo
Aumentei o tom da voz
E num silencio de um segundo
Iniciei em tom feroz

Nunca vi tão despreparo
Numa educação familiar
Quase nunca eu reparo
Mas sinto muito lhe informar
A senhora, só terá dominio no seu cão
Quando sua filha EDUCAR.

Ilusão de ótica

O adestrador de animais e apresentador de programas sobre treinamento, Cesar Millan

O adestrador de animais e apresentador de programas sobre treinamento, Cesar Millan

Adestramento é um ato muito complexo. Tem cães que respondem bem a uma técnica e outros a outra. Com uns você gasta mais energia e com outros menos e é ai que mora o perigo.

Utilizar técnicas que você viu num vídeo ou leu num livro sem acompanhamento de um profissional pode criar uma tolerância ou trauma. Sim! a técnica usada para corrigir ou ensinar deve ser muito bem entendida por você que vai utilizar e você deve conhecer bastante o cão que vai recebê-la.

Já vi pessoas tentando repetir técnicas por que viu um adestrador fazendo, porque viu na TV ou no livro fala que é daquele jeito. Quando você pega um cão de 40 a 50 quilos por exemplo, para ensina-lo a não arrastar a energia usada para algumas correções são diferentes das usadas num filhote de 6 meses. Às vezes a pessoa vendo você utilizar não sabe o que você está fazendo. Tem vezes que se pensa que está utilizando uma força descomunal e na verdade é mais expressão corporal do que força.

Certos exercícios você deve realizar com movimentos largos e bruscos o que dá uma impressão para um leigo de força. Os toques manuais tudo tem sua intensidade e efeito visual.

Por exemplo, quando você vai tirar a mania de um cão querer brigar com outro na rua, existe uma técnica que é de dar um toque empurrando com o calcanhar ou sola do pé na lateral do cão, repito TOQUE, para desviar a atenção do seu cão. Leigos podem não entender dessa intensidade, logo podem confundir toque com chute e sair dando ponta pés no pobre coitado.

Outra técnica é a de mudar de direção quando o cão arrasta muito, você muda de direção bruscamente e puxa o cão. Neste caso você vira fazendo barulho com os pés num movimento brusco e puxa o cão, o colar de elo tem que estar travado dependendo da força do cão para que não machuque o seu pescoço. Mas um leigo não se atém a estes detalhes e coloca o colar de elo sem travar no cão e quando vira ao invés de puxar, da um tranco na guia.

Há cães que precisam ser cansados antes de iniciar o treinamento para que estes não coloquem resistência num determinado comando, lembrando que cão cansado é cão feliz e não exausto e sem forças.

Bom, é isso! Cuidado com o que você vê na TV ou lê em livros, pois pode não ser mal interpretado ou não ser aplicável em determinados cães. A dica é sempre procurar um profissional.

Situações inusitadas

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Hoje contarei uma história que o leitor Rodrigo me enviou falando sobre um comportamento inusitado que seu rottweiler apresentou recentemente.

“Tenho um Rott de 8 meses que ontem me surpreendeu. Tenho um amigo que sempre vem em minha casa, e está acostumado a brincar com o Rott sem problemas. Ontem ele estava aqui e eu saí pra passear com o cão, meu amigo foi junto, o cão até permitiu que ele o levasse em parte do trajeto sem problemas. Depois meu amigo e eu paramos em um local, onde eu marquei de esperar minha mãe, e meu amigo pegou uma pedra no chão para jogar no Rio (em nenhum momento ele se virou para o cão e nem para mim) após atirar a pedra, ele veio andando na nossa direção, o cão esperou calmamente que ele se aproximasse, e quando meu amigo chegou ao seu alcance ele se lançou rosnando em direção ao peito dele. A sorte foi que eu percebi rápido o ataque e puxei a guia do cão dizendo NÃO com voz firme, o cão se acalmou, mas depois de uns instantes meu colega tentou se aproximar dele novamente e a situação se repetiu. Novamente dei o comando NÃO e segurei o focinho do cão. Meu cão não demonstra dominância comigo nem com meus familiares, obedece comandos básicos como o senta e o deita de todos da casa, jamais rosnou conosco, aceita que tiremos as coisas de sua boca e mexamos na sua ração, e também permite que o deitemos de barriga p/ cima quando brincamos com ele. Esse “ataque” surpresa é normal? Apesar dos sinais de submissão será que ele tem algum desvio sério de comportamento? Ele foi comprado de um canil sério, tem pedigree, os pais são tranquilos, e ele veio para minha casa com + de 70 dias”.

Rodrigo, esses comportamentos são esperados num cão que esta conhecendo o mundo, sendo socializado, ele não tinha presenciado ainda tal atitude, por isso você deve corrigi-lo o melhor é repetir a cena até que ele se sinta seguro e acostume com a situação, até porque a pedra foi jogada noutra direção e não na direção de vocês. Mesmo assim digo que seu cão tem um ótimo instinto de guarda que deve ser lapidado de maneira correta.

Aos interessados em adquirir e educar um rottweiler corretamente é preciso saber que ele é um cão que atinge seu amadurecimento físico e psicológico aos dois anos, durante esse período, é imprescindível que você o socialize, adestre e se preocupe com sua educação.

Cadelinha “amável”

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“Oi Dino, sempre acompanho seu blog e acho muito legal sua disponibilidade em atender a todos. Tenho uma cadela de um ano, a Frida. Estivemos com ela direto dos dois aos cinco meses. Neste primeiro período, já percebemos que ela era muito ativa, pulava muito e eventualmente rosnava quando nos aproximávamos do prato de comida. Fora isso, era uma cadela dócil e bem humorada.

Aos cinco meses tivemos que deixá-la junto com o nosso casal de teckel numa casa com outra pessoa, por ficamos fora do Brasil. A pegamos de volta quando ela tinha 8 meses. Na outra casa ela já tinha mordido a fêmea teckel, mas sem gravidade. Depois que voltamos para casa ela atacou a fêmea 3 vezes, e as 2 últimas com gravidade. Agora temos que separá-las constantemente.

A Frida também revelou não gostar de crianças. Apesar de não termos criança em casa, sempre quando aparece alguma visita, ela fica aparentemente irritada e arrepiada com a presença delas. Ela ainda tem rosnado mais quando nos aproximamos da comida e andado mais agitada.

Mesmo assim é muito mansa e tranquila, nunca avançou em ninguém, gosta das pessoas adultas. Às vezes, a impressão que tenho que ela passa por um momento de nos testar e querer se impor. E acho que não estamos sabendo como controlar isso e contornar a situação.

Ela é inteligente, sabe sentar, dar a pata, espera quando a gente vai dar a comida e não avança no prato. Mas infelizmente estamos perdendo a confiança nela. Queria um conselho de quem é especialista. Enfim, adoramos a cachorra e não queremos nos desfazer dela”.

Se seu cão demonstra sinais de dominância bem cedo e vocês já deveriam ter dado atenção a estes sinais. Não é o fato dela sentar e dar a patinha que a torna um cão de temperamento tranquilo. Um cão hiperativo estressado pode causar sérios danos a família.

O fato dela ter passado por dois lares faz com que ela seja líder, pois não teve tempo de criar esta hierarquia por onde ela passou. Ao se adquirir um cão devemos analisar se estamos realmente prontos para isso. Devemos calcular no minimo 10 anos a frente para saber se vamos ter condições te continuar com o cão.

Conviver com o cão e participar de sua educação é muito importante para a formação de seu caráter. Muitas pessoas pensam que só devem se preocupar com a educação do filhote na fase do adestramento, ou seja, quando todas as vacinas foram dadas e ele está pronto para sair à rua e ser adestrado e é ai que está o grande problema.

Muitos pensam que um cão adestrado vem com um controle remoto pronto para clicar e obter resultados. É certo que um cão bem adestrado tem facilidade de atender comandos, mas somente cães que recebem comandos de várias pessoas obedecem outras pessoas.

Portanto, se o proprietário do cão não participa das aulas, ou melhor, não faz o dever de casa, ele sempre terá dificuldade em conseguir resultado com seu cão. O melhor é começar cedo, assim que o filhote chega a sua nova casa, ele deve aprender a seguir normas. Um cão nasceu para viver em matilha e quando o tiramos de sua matilha, automaticamente, ele irá fazer da família humana sua matilha.

Numa matilha existe a hierarquia, ou seja, toda matilha tem um líder, alguém que decide quais os tipos de brincadeiras podem ser feitas, quando a brincadeira deve parar, hora de se alimentar e outras regras básicas.

Então você deve escrever em um papel suas regras básicas e mostrar para toda matilha. Isso mesmo todos da família devem estar cientes das regras para que o cão não aprenda que, com um pode com outro não pode. Quase todas as consultas de comportamento que dou 70% do mau comportamento do cão adulto ou filhote foram ocasionadas pelos donos.

Crianças são os principais causadores de mau comportamento em filhotes seguido de mulheres que deixam seus “bebezinhos” bastante a vontade na casa e acabam criando um “monstro” e por último alguns maridos que são indiferentes às atitudes do filhote, mas quando a esposa solicita alguma atitude, tentam impor sua liderança através da força, fazendo com que os filhotes cresçam com medo e não respeito a sua presença.

Muitas, mas muitas pessoas que conversei ou adestrei seu cão não estavam preparadas para ter um.

Explicando o inexplicável

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Muitas pessoas me perguntam como se faz para ser adestrador, pois gosta de animais e queria se tornar um.
Bom, no meu humilde entendimento ninguém se faz adestrador, mas se nasce adestrador. Apenas gostar não o faz apto a ser um adestrador.

Conheço inúmeras pessoas que gastaram horrores com cursos e nunca conseguiram dominar um cão. O que você aprende em cursos tem que ser acrescentando a sua dose de “feeling”, ou seja, tem que ter algo que não se consegue explicar.

Quando eu tinha 9 anos eu pegava cachorro na rua, trazia pra casa e ficava pedindo minha mãe para gente ficar com ele, mas eu não só apenas brincava, também tentava lhes ensinar algo, exigia educação e que seguissem regras.

Ao assistir uma apresentação dos cães da polícia militar de Belo Horizonte, vendo aqueles cães pastores os quais eu chamava de “policiais”, fazendo truques, tive uma sensação no coração inexplicável, uma vontade tremenda de me fazer entender e entendê-los.

Confesso que comecei errado, às vezes de maneira bruta, sem paciência, truculento. Não tenho medo de dizer e, sim, tenho vergonha dessa época, mas me orgulho de ter descoberto que estava errado e mudado a maneira de tentar me comunicar com eles.

Ao buscar dentro de mim aquele sentimento inexplicável que sentia, de interação com cães, consegui muito. Aos 12 anos eu passava horas brincando com minha cadela Xamoa, me sujava todo sem medo. Meu pai registrou numa dessas fotos essa amizade inexplicável da qual preferia do que ver TV.

A Xamoa foi minha primeira cadela adestrada. Ela sentava, deitava, fingia de morta e rolava antes de eu pensar em fazer um curso de adestramento. O tempo que eu ficava em casa tentava ensinar truques para ela.

Hoje sou um homem realizado, não financeiramente, mas espiritualmente, pois soube usar o dom que Deus me deu.

Como é feito um treinamento de guarda

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Existem ainda muitos mitos envolvendo a atividade de guarda. Estes mitos são baseados em afirmações falsas, muitas vezes não passam de suposições, ou até mesmo de superstições.

Qualquer cão pode ser ensinado a fazer guarda?!

Não! O problema acontece com os cães de raça. Todas as raças são desenvolvidas a partir da seleção genética de cães com determinadas características, consideradas mais desejáveis para determinada atividade.

É assim que achamos cães de caça com um olfato muito mais apurado do que nos cães de companhia, por exemplo. Os cães de companhia, por sua vez, são mais delicados, menos desajeitados, que os de caça. E assim por diante. Com isso, desenvolveu-se cães com características instintivas diferentes. Portanto, para termos um cão de guarda precisamos escolher cães com características próprias para a guarda.

Um cão de 5 meses é um filhote, e está longe da idade de começar a demonstrar sinais de agressividade. O cão de guarda só começará a desenvolver sua agressividade, e sentido de territorialidade, quando estiver se tornando adulto. Nos cães de porte grande isso começa a acontecerá somente depois que o cão fizer 2 anos. Nesta época há uma grande mudança no temperamento do cão, fazendo com que ele fique mais bravo. É nesta época, também, que o proprietário, mais do que nunca, precisa reforçar sua Liderança sobre o cão.

O cão de guarda deve ser agressivo somente ao atacar um intruso, ou agressor. Porém, no seu dia-a-dia é desejável que ele seja o mais calmo e estável possível. Desta forma teremos uma casa devidamente guardada, sem, no entanto, que precisemos colocar qualquer pessoa em risco.

Se você considerar que a capacidade que um cão tem de atacar um estranho for semelhante à posse de uma arma de fogo, quem você acharia que seria o melhor portador deste revólver: uma pessoa super agressiva, que a qualquer provocação reage de forma exagerada, ou uma pessoa sensata e de temperamento estável? Não é difícil responder: é evidente que a pessoa sensata e de temperamento estável é a melhor opção.

Com os cães a coisa funciona do mesmo jeito. Um cão muito agressivo jamais será capaz de avaliar se uma situação é de fato perigosa ou não, pois para ele qualquer situação desencadeia uma atitude agressiva. No entanto se tivermos um cão calmo, obediente e de bom temperamento, teremos uma guarda muito mais efetiva, diminuindo muito o risco de acidentes desagradáveis.

O bom cão de guarda deve ser obediente, calmo, seguro, sociável e valente. Tais características só contribuirão para que ele tenha um bom discernimento quanto ao real perigo, ou não de uma situação.