Xixi pode, xixi não pode

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Hoje vou falar sobre aqueles produtos que atraem ou repelem o cão a fazer xixi em determinados lugares, os chamados Pipi Pode, Pipi Não Pode.

A primeira coisa que é preciso saber sobre tais produtos é que eles não fazem milagres sozinhos. É preciso que você participe ativamente da educação do seu cão.

Agora, vamos a eles. O Pipi Pode, produto que atrai o cão geralmente é feito a base de amônia e ureia, ou seja, nada mais que xixi engarrafado, pois são químicos encontradas na urina de vários seres vivos, inclusive na de seres humanos. É por isso que quando você pinga o produto no tapetinho ou no jornal é como você estivesse marcando o território, deixando ali um lembrete para o filhote de que é ali o local para se fazer xixi.

Estes componentes químicos também são encontrados no nosso suor, o que explica porque os cães fazem xixi em tapetes de banheiro, pois quando você sai do banho molhado pingam algumas gotas de água do seu corpo nele. Outro local que os cães adoram é a lavanderia. Respingos de água de sabão, que contém amônia, caem ali formando um grande território marcado.

Já o Pipi Não Pode, ao contrário do que o conhecimento popular, não irá repelir o cão ou filhote de fazer xixi naquele local. O que realmente ele faz é desmarcar, tirar o cheiro do lugar onde o filhote fez o xixi, fazendo com que ele procure um novo local para fazer suas necessidades.

Se caso você esteja cansado de usar esses produtos você pode usar o próprio xixi do seu cão para marcar o local a ser usado. Já para desmarcar locais que ele está acostumado a usar, pode-se utilizar a Citronela que não possui amônia ou ureia e tem cheiro mais agradável que o Pipi Não Pode e produtos similares.

Caso queira repelir o cão de determinado local já existem no mercado os chamados Bloqueadores, produtos feitos especificamente para repelir o filhote impedindo que ele faça suas necessidades ou até fique no local, como tapetes, carpetes, sofá, cortinas, etc.

Bom, agora que já aprendeu para que serve cada produto, mãos a obra no condicionamento do seu filhote.

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Luz, câmera, ação!

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Chamado para fazer um trabalho para uma agência de publicidade em São Paulo, lá fui eu com a minha fiel golden retriever Andora para Cotia/SP.

Para um cão, uma viagem de 4 horas é bem cansativo e estressante e pequenas paradas se fazem necessárias para abaixar o estresse e a temperatura que se elevam dentro do carro. Fizemos duas paradas estratégias. Mesmo assim notei que Andora ainda estava um pouco tensa.

Se não bastasse, o local em Cotia não era do agrado para gravar as cenas e foi decidido que o melhor seria gravar numa mansão que existente no bairro do Sumaré dentro de São Paulo. Formam mais 60km, mas agora com sol forte e temperatura de quase 40 graus. Andora aguentou firme o trajeto, mas durante o dia se mostrou bem cansada e por isso as gravações das cenas que ela aparece ficaram para o outro dia.

Na casa onde as gravações serão realizadas mora o Café um Boxer castrado que anda atrás de seu dono o tempo todo. Ao chegarmos ele disse que seu cão era bem educado e que se soubesse que tinha um cão na cena, tinha oferecido ele para fazer o trabalho.

Trabalho com cães e donos a mais de 20 anos e notei um ar de inveja. Seu dono querendo mostrar que tinha um cão tão “educado” quanto o meu e ficava desfilando de um lado para o outro, o que me deixou preocupado. Eu puxava conversa com ele e ele me respondia somente o necessário. Notei ali que tinha um “q” de não vou com sua cara. Então a última coisa que eu disse foi: “cuidado, pois seu cão não gostou da presença da Andora, notei isso pela postura dele e o jeito que ele olha para ela”.

Por fim minha artista se acomodou embaixo de um banco de madeira para um merecido descanso. Deixei ela dormindo enquanto a equipe de contra regras decidia que luzes montar e fui ao banheiro. Num dado momento escutei uma gritaria e sons de cães se atracando. Era Café que veio tirar satisfações do porque aquela cadelinha estava em seu ambiente. Sai correndo até o local e a situação ja estava sob controle, mas Andora estava com focinho machucado e tremendo muito.

Desta vez exigi os direitos de Andora como atriz principal e disse: “ou esse cão sai do cenário ou estamos indo embora. Claro que o mal educado foi retirado. E as ultimas palavras que ouvi foram: “nossa, nunca vi ele fazer isso!”.

Por isso se contrata cães profissionais para trabalhos profissionais. Cães realmente educados tem que ser submetidos a várias situações e mesmo sob estresse se mantêm firmes para brilhar.

Glândula Anal ou Adanal

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Todo cão possui duas Glândulas Anais. Elas são pequenos depósitos localizados um de cada lado do ânus do cão.

Essas glândulas contêm um liquido semi oleoso e tem o objetivo de espelhar o odor do cão por onde ele passa. Como ele é único, funciona como uma foram de identificação.

Apesar de ser um odor bem fétido, para os cães que se cumprimentam é como mostrar o RG por isso levantam a cauda para se cheirarem.

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Mas por que na região anal? Simples, pois como o líquido da glândula funciona como RG do animal, quando o cão faz suas necessidades o ato de contrair o ânus libera o liquido fazendo com que ele marque o território.

Alguns cães apresentam problemas nessa glândula sendo necessário algumas vezes um intervenção cirúrgica em outros casos o uso de medicação para ajudar no tratamento.

Esse óleo pode ser liberado em demasia quando o cão passa por um momento de estresse, medo, alegria, susto ou angústia. Então, se você perceber algo de errado com o seu amigão, procure um especialista.

Fred e eu, do outro lado do muro

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Depois de pular o muro fugindo de Fred, aquele dinossauro quadrúpede e já me sentindo mais seguro coloquei a mente pra funcionar, como eu iria fazer Fred me aceitar novamente, como faria ele deixar que eu o levasse pra passear?

Enquanto eu pensava do lado de fora Fred bufava pela fresta de baixo do portão, cada baforada levantava uma nuvem de fumaça seguida de um único latido confiante e firme.

Recapitulando tudo desde meu primeiro contato com Fred cheguei a conclusão que Fred no primeiro dia que me viu não me avançou porque ainda não tinha seu território demarcado, aquele quintal ainda não pertencia a ele. Três dias era muito pouco tempo para se determinar um território.

Então pedi seu novo dono que colocasse a guia em Fred e o trouxesse para fora, mais precisamente uns 50 metros longe da casa e assim ele o fez. Colocou a Fred na guia e o trouxe até mim ou melhor Fred trouxe seu novo dono até onde eu estava, pois da maneira como Fred arrastava, dava pra ver quem estava decidindo onde ir. Fred se aproximou de mim me cheirou novamente mostrei o dorso da mão ele lambeu e pronto estava eu em acordo de trégua com aquele dinossauro.

Levei Fred pra fazer uma caminhada longa e repetindo a palavra PASSEAR várias vezes durante a caminhada, até que se cansasse bastante e não tivesse vontade sequer de olhar para mim quando chegasse em casa. E assim fomos e ao regressarmos entrei com Fred, fechei o portão soltei da guia e ele saiu direto para vasilha de água.

Depois de beber bastante, ele se deitou a sombra da varanda, mal conseguindo manter aquela “cabeçona” de pé. Me aproximei tirei do bolso um petisco ofereci, mas a estafa era tanta que nem deu bola. Fui embora mais determinado a voltar no outro dia, pois não queria dar tempo para Fred esquecer o momento feliz que teve.

No outro dia ao chegar na casa Fred escutou o barulho do meu carro, se aproximou do portão, deu um baita latido mesmo assim resolvi entrar, ele ficou parado me olhando tirei a guia e mostrando a ele disse: vamos passear?!
Então Fred se contorceu e não abanando apenas o rabo, mas o corpo todo, deixando de ser aquele dinossauro chucro, parecendo simplesmente um filhotinho de poodle.

Depois disso, fiz o adestramento de Fred tranquilamente e ele se tornou um cão sociável e educado, respeitando o território dos outros, mas protegendo o seu.

Por um fio

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Fui chamado por um cliente para verificar a possibilidade dele adotar e eu ensinar um dogue alemão de 3 anos a andar sem arrastar.

Chegando ao local encontrei Fred, que realmente era um cão monstruoso, enorme, vistoso, de causar medo.

Seu novo dono me disse que o adotou pelo fato do dono anterior não tinha espaço nem tempo para caminhadas e que ele sim tinha tais isso em sua vida, mas antes precisaria que Fred parasse de arrastar.

Me aproximei dele e como não notei sinais de perigo, coloquei o dorso da minha mão em frente ao seu nariz recebi uma lambida na mão e retribui com um carinho na sua cabeça. Disse, que poderiamos agendar algumas aulas e na próxima semana iniciaria.

Passado 7 dias retornei dessa vez para ensinar Fred a andar sem arrastar. Fred dessa vez estava preso num cercado com grades baixas na altura do seu peito. Como transitava muita gente no local, seu dono tinha medo que Fred saísse pelo portão e causasse algum acidente, já que muita gente tinha medo do cão (mas pelo seu tamanho do que pelo seu comportamento).

Ao me aproximar notei que apostura de Fred não era a mesma da primeira vez, conversei com um pouco e iniciei uma conversa com seu dono enquanto acariciava sua cabeça. Fred continuava indiferente sem abanar a cauda, boca fechada e foi quando notei os lábios superiores se movimentaram milimetros, era um sinal que Fred não estava curtindo minha presença no local. Tirei a mão e continuei olhando para seu dono, mas dessa vez eu disse:
– Segura ele, pois ele vai pular para me pegar.

Seu dono ficou surpreso, pois não conseguira ver nada que levasse ao possível ataque. Continuei repetindo:
– Segura ele, pois ele vai me atacar – e me afastei “tranquilamente”, tentando controlar minha ansiedade, não respirando forte para que Fred não sentisse o cheiro da minha adrenalina. Seu dono continuava surpreso e dizendo que não ia.

Quando eu ja estava uns 3 passos de distância, Fred colocou as patas dianteiras sobre a grade que o cercava, seu dono foi tentar contê-lo pela coleira e tomou uma mordida na mão e logo o soltou. Fred com seus 70 ou 80 kilos pulou a pequena grade e eu disparei correndo em direção ao portão, vendo que o portão estava fechado me joguei no muro, num lance só e quando eu já atravessava para o outro lado senti o bafo de Fred nas minhas pernas… Escapei por um fio!

Fred como todo Dogue Alemão havia criado seu território, não aceitava a presença de estranhos e isso é bem característico da raça. Por sorte consegui ver os sinais do possível ataque a tempo, coisas que só um profissional com tempo, observando e estudando o comportamento dos cães, consegue. Quando estudamos conseguimos notar estes sinais mesmo que milimétricos e isso nos ajuda a sair de algumas situações perigosas.

Continua…