Senhoras e senhores… O Rottweiler

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Usado como cão de polícia após a Primeira Guerra Mundial, o Rottweiler se destaca por sua inteligência, coragem a companheirismo. Grande protetor de seu dono e do território em que vive, dono de uma mordida potente e com fama de mal, ele mantém afastado todo possível intruso. Também é taxado como cão assassino por muitos da mídia, e aceito como tal por pessoas que não sabem do que estão falando.

O rottweiler teve seu nome associado a um cão assassino nos anos 70, quando foi apresentando no filme A Profecia como protetor do anticristo. Na novela Vamp, aqui no Brasil, o vampiro Vlad se transformava num rottweiler, também assassino.

Na verdade, o rottweiler é um cão com temperamento firme, porte imponente de meter medo em intrusos, e cumpre seu papel de guarda com vigor. Todos esses tópicos foram tratado no último dia 13 de setembro, no Primeiro Encontro de Rottweilers de Franca. Lindos exemplares com ótimo temperamento fizeram parte do evento, mostrando aos leigos a verdadeira essência da raça.

Temas como criação, saúde e adestramento foram abordados, reforçando os cuidados de quem possui ou quer possuir essa magnífica raça. Outros encontros já estão sendo planejados com novos temas, vale apena conferir.

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Situações inusitadas

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Hoje contarei uma história que o leitor Rodrigo me enviou falando sobre um comportamento inusitado que seu rottweiler apresentou recentemente.

“Tenho um Rott de 8 meses que ontem me surpreendeu. Tenho um amigo que sempre vem em minha casa, e está acostumado a brincar com o Rott sem problemas. Ontem ele estava aqui e eu saí pra passear com o cão, meu amigo foi junto, o cão até permitiu que ele o levasse em parte do trajeto sem problemas. Depois meu amigo e eu paramos em um local, onde eu marquei de esperar minha mãe, e meu amigo pegou uma pedra no chão para jogar no Rio (em nenhum momento ele se virou para o cão e nem para mim) após atirar a pedra, ele veio andando na nossa direção, o cão esperou calmamente que ele se aproximasse, e quando meu amigo chegou ao seu alcance ele se lançou rosnando em direção ao peito dele. A sorte foi que eu percebi rápido o ataque e puxei a guia do cão dizendo NÃO com voz firme, o cão se acalmou, mas depois de uns instantes meu colega tentou se aproximar dele novamente e a situação se repetiu. Novamente dei o comando NÃO e segurei o focinho do cão. Meu cão não demonstra dominância comigo nem com meus familiares, obedece comandos básicos como o senta e o deita de todos da casa, jamais rosnou conosco, aceita que tiremos as coisas de sua boca e mexamos na sua ração, e também permite que o deitemos de barriga p/ cima quando brincamos com ele. Esse “ataque” surpresa é normal? Apesar dos sinais de submissão será que ele tem algum desvio sério de comportamento? Ele foi comprado de um canil sério, tem pedigree, os pais são tranquilos, e ele veio para minha casa com + de 70 dias”.

Rodrigo, esses comportamentos são esperados num cão que esta conhecendo o mundo, sendo socializado, ele não tinha presenciado ainda tal atitude, por isso você deve corrigi-lo o melhor é repetir a cena até que ele se sinta seguro e acostume com a situação, até porque a pedra foi jogada noutra direção e não na direção de vocês. Mesmo assim digo que seu cão tem um ótimo instinto de guarda que deve ser lapidado de maneira correta.

Aos interessados em adquirir e educar um rottweiler corretamente é preciso saber que ele é um cão que atinge seu amadurecimento físico e psicológico aos dois anos, durante esse período, é imprescindível que você o socialize, adestre e se preocupe com sua educação.

Após ataque na semana passada, rottweiller vira assunto nas redes sociais

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A história do rottweiler que atacou a criança em Patrocínio Paulista gerou muito debate nas redes sociais. Mas muitos desses debates viraram ataques pessoais onde pessoas defendem suas opiniões com unhas e dentes.

Meu Facebook choveu de perguntas sobre a raça e vou aproveitar este espaço para responder a algumas delas.

O rottweiler foi criado em laboratório?

Não! O rottweiler é uma das raças mais antigas que se tem notícia. Há relatos de rottweilers acompanhando legiões romanas nos Alpes, servindo de guarda para homens e ajudando na condução do gado. O rottweiler herdou seu nome da antiga cidade de Rottweil: Rottweiler Metzgerhund (Cão de açougueiro de Rottweil – uma vez que os açougueiros criavam a raça com a única finalidade de trabalho). O fato de ter chegado ao Brasil em 1970 não quer dizer que ele veio de outro mundo ou de um tubo de laboratório.

 

O rottweiler é uma raça agressiva?

Não! O rottweiler tem uma personalidade marcante, ele é apegado ao dono, mas indiferente com estranhos. Sua maturidade é atingida aos dois anos por isso a maioria dos ataques se dá nessa idade onde donos não estão atentos aos sinais de que o cão chegou a idade adulta. Essa falta de liderança faz com que o cão a assuma.

 

Posso criar meu rottweiler com crianças?

Sim, como qualquer outro cão! Mas nunca se deixa uma criança sozinha com um cão de guarda, não por não confiar no cão, mas sim por não confiar na criança.

 

Mas alguns rottweilers são agressivos. Por quê?

Quando se é criador sério o mesmo preza pelas características não somente físicas, mas psicológicas do cão. Por isso, cães sem linhagem, comercializados de forma indiscriminada por criadores de fundo de quintal, que não submetem seus cães a testes de temperamento através de provas práticas de adestramento, recebendo um certificado que habilita o cruzamento, sempre terão maior chances de estar na mídia como “cães assassino”.

 

Devo mandar adestrar meu rottweiler?

Sim! Mas lembre-se um mal profissional também pode machucar o seu cão.

 

Que perfil precisa ter um proprietário de rottweiler?

Ter liderança, não ter medo, conhecer o animal que tem, sua linguagem de sinais, ter condições financeiras para mantê-lo, tempo para promover exercícios físicos e socialização.

 

O que você diria para as pessoas que querem exterminar a raça?

Não diria nada, pessoas que pensam em exterminar são incapazes de criar, pessoas assim podem num instante acabar com uma vida ou acabar com a própria vida. Por não conseguirem criar ideias de mudança, conviver ou pelo simples fato de terem dificuldade de entender.

Os cães ladram e a caravana passa (rs)!!!

Tudo depende do ponto de vista

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Sempre que adestro procuro ensinar o dono também. Cães não vem com controle remoto onde é só apertar os botões e os comandos vão sendo obedecidos. Requer exercícios do dono e fazê-lo copiar meus trejeitos, minha tonalidade de voz e gestos esta é a lição mais difícil. Ou seja, é daí que surge a frase “Adestrar o dono é o pior”. O dono sempre faz tudo diferente do que você pede, sempre acrescenta uma palavra a mais no comando, se posiciona de maneira errada, chega até a gritar com o cão.

Referindo a este assunto, lembro de um rottweiler chamado Thomaz no qual obedecia prontamente meus comandos chegando a andar solto ao meu lado pelas ruas movimentadas da avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso. Thomaz era um rottweiler daqueles magros tinha um problema no coxo femoral que o fazia mancar de vez enquanto. Mas seu dono era uma peça rara.

Um dia fui passar os comandos e o jeito de conduzir Thomaz ao seu dono e lá fomos nós numa caminhada descontraída e conversando um pouco de cada coisa e entre meio a conversa eu ia mostrando como se dava os comandos: “junto”, “alto”, “senta”, “deita”, “fica”, “aqui”. Este era o básico que Thomaz obedecia lindamente. Num dado momento da caminhada passei a guia para seu dono e fui mostrando e corrigindo o que ele fazia de errado.

Pedi para que ele batesse na perna esquerda e desse o comando “junto”
(onde o cão inicia a caminhada ao lado do condutor). E o que ouvi do dono foi: “juntinho Thomaz! Vamos passear bonitinho!”. Tentei por várias vezes corrigir, mas em vão nada tirava da cabeça do dono aquela frase meiga e singela, rs!

Então pedi algo mais fácil, pedi para que mandasse o “senta” e ouvi:
“senta para descansar Thomaz, senta!”, seguido de tapinhas carinhosos no traseiro de Thomaz kkk. Bom… Vamos tentar o “deita”, pensei. Posicionei o dono corretamente e disse agora é só pedir dizendo apenas “DEITA”. Não teve jeito, “deita para ‘nanar’ Thomaz, cadê a barriguinha do meu moleque?”, kkk!

Depois de várias tentativas, em vão, de adestrar o dono, voltamos para casa e numa última tentativa já no portão de sua casa, pedi para que ele soltasse Thomaz da guia e falasse “CASA”. E o dono disse:

– Esse ele faz que é uma beleza, olha para você ver! VAI BEBER ÁGUA THOMAZ!

Thomaz correu pra dentro da casa e foi direto na vasilha de água depois de uma caminhada de quase uma hora…

E, olhando pra mim, o dono diz:

– Dino! Eles são muito inteligentes já pensou?! Eu chego da rua com ele, depois da caminhada mando ele beber água e ele vai!

Realmente ELES são muito inteligentes kkk!

Senhoras e senhores… O rottweiler!

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Você se lembra do filme da década de 70 chamado A Profecia? Foi nele que usaram um rottweiler para representar o protetor do Anti-Cristo.

Na novela Vamp da Rede Globo, o animal também foi estigmatizado como violento, na forma animalesca do vampiro Vlad. Isso ajudou com que a raça fosse vista como violenta, agressiva.

A verdade é que qualquer cão de guarda criado e treinado para ser violento, o será, pois ele é habituado a ser assim. As raças de cachorro, infelizmente, são como produtos que revezam o ranking dos mais vendidos. Quando o rotweiller era a raça mais vendida do mundo – inclusive no Brasil – a criação descriteriosa para atender a demanda fez com que o cão com tendência a ser agressivo se torne ainda mais agressivo.

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Ao meu ver, o problema está no não cumprimento da lei pelas autoridades.

O artigo 31 da Lei das Contravenções Penais prevê pena de prisão simples de dez dias a dois meses ou multa de R$200 a R$2.000 para aquele que deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida cautela animal perigoso.

A Lei Municipal 10.309 de 1987 da cidade de São Paulo, trata do controle de zoonoses. O parágrafo único do artigo 7º determina que os cães mordedores e bravios somente poderão sair às ruas devidamente amordaçados, ou seja, com focinheira. Ainda segundo tal lei, será preso o cão mordedor que for agente de dois ataques comprovados por boletim de ocorrência.

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Já em seu artigo 13°, a lei diz: “os atos danosos cometidos pelos animais são de inteira responsabilidade de seus donos e, quando o ato danoso for cometido estando o animal sob guarda de outra pessoa, se estenderá a esta à responsabilidade pelos danos causados”.

Qualquer pessoa que for atacada por um animal deve imediatamente procurar uma delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência. Vejam que o problema não é o animal ou seu temperamento é do “animal” – rs – que treina o cão a ser cada vez mais agressivo de maneira a perder o seu controle.