Do campo para a cidade

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Bob morava numa chácara e havia mudado a pouco tempo para um apartamento. Sua família o levara, pois gostava muito dele e o queria por perto.

A vida de liberdade e espaço agora se transformara na apertada e corrida vida de um cão da cidade. Para compensar a mudança de ambiente, ele tinha seus passeios matinais e ainda recebia todos os mimos da família que o levava de 4 a 5 vezes para dar uma voltinha e fazer xixi.

O problema é que Bob não fazia suas necessidades dentro do apartamento, apesar da insistência de seus donos. Para Bob, ele saia para fazer as necessidades e a caminhada era a recompensa para isso, então ele segurava para que o levassem lá fora e isso acabou se tornando uma rotina.

Um local na sacada foi preparado. Colocamos os tapetinhos e até grama artificial para ajudar Bob. Mas ele era persistente, por isso pedi para que a família não saísse com ele enquanto não fizesse as suas necessidades lá.

No inicio, foi uma luta, Bob segurava até não aguentar mais. Soa cruel, mas o que vale ressaltar é que se o dono sede à pressão não haverá aprendizado.

Hoje, Bob sabe que ele sai para passear porque seus donos gostam dele e não somente para que ele faça as suas necessidades.

Bem-vindo à cidade Bob!

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Tempo

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O tempo perguntou para o tempo, quanto tempo o tempo tem…

– Dino, estou com um problema e preciso de um milagre. Eu comprei um cão e agora ele deu de ficar latindo pra tudo e no condomínio onde moro já me enviaram diversas notificações por causa do barulho. Preciso da sua ajuda para que ele pare de latir.

– Bom, senhora, vou fazer algumas perguntas para que eu tenha um diagnóstico.

– Quantos anos seu cão tem?

– 2 anos.

– Ele fica solto?

– Bom, ele fica nos dois corredores que são enormes. Um desses corredores dá acesso ao portão e ele não pode ver ninguém que destampa a latir, eu grito, berro e nada!

– Você leva ele para passear quantas vezes na semana?

– Então, eu saio de casa as 6 horas da manhã, volto em casa rapidinho para almoçar, volto pro serviço e chego umas 19 horas. Estou muito cansada, às vezes dou uma voltinha até a esquina, coisa de 15 minutos, mas eu deixo osso, garrafa, brinquedos mas ele nem da bola.

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– E no final de semana?

– Não no final de semana eu quero descansar. Às vezes vou pra casa da minha mãe e fico lá o dia inteiro, só volto à tarde.

– Bom, analisando a situação, seu cão está estressado, ou seja, está cansado, entediado e o latir é uma maneira de queimar esse tédio.

– E o que eu posso fazer, Dino?

– Sair com ele todos os dias no mínimo uma hora de caminhada, providenciar brinquedos atrativos que devem ser colocados quando você sair e recolhidos quando chegar em casa.

– Sem chances Dino, não tenho tempo mesmo, não tem outra maneira?

– Sim doe ele pra alguém que tenha tempo!

– Nossa, mas ele não vai sentir minha falta?

– Bom senhora vamos ver. Se você morasse durante 2 anos num corredor, onde via a rua uma vez a cada 1 ou 2 meses, a pessoa que deveria ser sua companhia saísse as 6 da manhã e voltasse as 7 da noite e quando voltasse iria assistir TV ou dormir e a única diversão que você tivesse fosse gritar com as pessoas na rua. Você sentiria falta dessa pessoa?

… O tempo respondeu para o tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem