Jack, somente Jack

jack

Andando em São Paulo me deparei com uma feirinha de adoção. Vários filhotes dentro de cercadinhos de tela que ao menor contato visual faziam festa tentando chamar atenção. Cães de feirinha são assim eles mesmos tem que se vender, tem que ser muito atrativos.

Pareciam implorar para serem levados. A maioria filhotes nascidos nas ruas, em buracos cavados por suas mães em terrenos, filhotes abandonados nas ruas movimentadas onde numa família de 5 apenas 2 sobreviveram enquanto os outros foram provavelmente atropelados.

Me chamou atenção um filhote cuja perna era atrofiada, um problema gerado desde o nascimento. Todos que chegavam para olhar aquele cercado cujo filhote estava não ficava por muito tempo, seu “defeito” era triste de ver, mas usa historia linda de ouvir.

Nascido de um cadela de rua que já havia sido adotada, Jack – nome não sei por que e por quem escolhido – praticamente estava desenganado, ninguém esperava que fosse sobreviver, pois não conseguia sugar o leite das mamas de sua mãe e quando conseguia abocanhar alguma teta, logo era empurrado pelos irmãos, por isso teve de ser tratado na mamadeira.

Devido a falta de anticorpos da mãe, foi acometido por uma parvo virose que quase o levou a morte, mas milagrosamente sobreviveu. Aprendeu a se virar e ter que correr mais que os irmãos para chegar na vasilha de ração, luta na qual sempre apanhava, ele aprendeu a se impor e intimidar os irmãos que brincavam de luta e tentavam colocá-lo por baixo.

Jack estava ali pela primeira vez na feirinha pronto para ser adotado, seus irmãos já haviam ido embora e como sempre Jack ficara para trás. Um casal se aproximou do cercado e Jack logo se interagiu com a criança e os pais, mas ouvi a mãe dizer “há não bem, ele é aleijado!”. Então senti que era hora de interceder por Jack e ajudá-lo ir para uma família.

Me aproximei e puxando um papo, conversei com a criança que tinha cerca de uns 12 anos e disse: “você viu que aquele tem um probleminha na perna?” – ele confirmou balançando a cabeça. “Você sabia que ele sofreu tanto, mas lutou muito para ter a chance de estar aqui e ter uma família? Sabia que cães assim são como anjos que quebraram as asas e caíram do céu e quem o adotar terá que cuidar dele muito, mas terá tudo retribuído em dobro? Que o probleminha dele está apenas na perna, mas não na bondade que todo cão tem?” Os pais me olhavam calados sem dizer nada, talvez achando engraçado o sotaque do interior, vai saber!

Por fim indagado pelos pais qual cão ele queria, a criança apontou para Jack, repetiram a pergunta com o complemneto: “tem certeza?”, mas a criança com sorriso no rosto, olhos firmes postura firme decidida, tornou a apontar para Jack. O pai estufou o peito, passou a mão na cabeça do filho e disse: “fico orgulhoso de você meu filho!”.

Ajudei a moça a pegar Jack no cercado e enquanto se preenchia o termo de adoção, eu ajudava a colocar uma gravatinha nele, Jack me agradeceu com uma bela lambida no nariz, rabinho frenético e foi embora nos braços de uma criança que acabara de aprender o que realmente é inclusão.

Infelizmente não tenho uma foto de Jack, mas sei que se chamava Jack, somente Jack.

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Como treinar cães surdos

cao surdoCães também podem ter problemas auditivos, alguns podem até nascem com surdez parcial ou total. Também há a possibilidade de quando envelhecem perderem gradativamente a audição. Para quem tem um cão em alguma destas situações a comunicação com o cão deve ser totalmente sinalizada.

Tendo em vista que cães se comunicam mais visualmente do que verbalmente, não é difícil educar um cão surdo, mas para isso você deve seguir algumas regrinhas básicas:

– ao treinar seu cão com linguagem de sinais, você mesmo pode criar cada sinal para cada tipo de comando, mas lembre-se de utilizar sempre o mesmo sinal para o comando solicitado;

– se precisar acordá-lo faça o toque na região do ombro de maneira gentil e sempre faça da mesma maneira, outra maneira é bater o pé no chão – no chão, ok? – assim ele sentirá a vibração do impacto e acordará;

– você pode utilizar uma lanterna laser e associar o ponto vermelho ao comando “aqui”. Quando você quizer que o cão venha até você basta direcionar o laser próximo a ele e trazer o ponto até você, assim que o cão se aproximar você paga com um petisco;

– existem alguns acessórios que podem auxiliar seu cão, coleiras “vibratórias” que vibram através de comando em um controle remoto, por exemplo;

– mas a principal dica é ter paciência. Um cão com deficiência auditiva deve ser educado como qualquer outro, já que os seus outros atributos com certeza estão intactos, mas requer um pouco mais de paciência que os demais.

Veja o vídeo abaixo que mostra um pouco do treinamento de um cão surdo:

Uma aventura no Rio de Janeiro

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Existem certas coisas que fazemos em nossas vidas que não procuramos entender, realizamos coisas que não tem explicação. Bom, eu, pelo menos, não procuro explicações, apenas vou e faço e como dizem, seja o que Deus quiser e algumas coisas, com certeza, ele aprova.

Tenho um Grupo no “finado” Orkut, rs, que se chama “Eu amo meu Rottweiler” lá fiz amizades muito sinceras, mesmo que virtuais ainda sim sentimos uma afinidade boa entre alguns membros do grupo. É o caso de minha amiga Luciana Russi, Marcos Braga, Susane Melo, Carla Pintaúde, Laressa Benevenuto e se eu continuasse a lista teria mais de 1000 pois nessa comunidade temos cerca de 43.000 participantes.

Certa vez nossa amiga, Ana Paula Lemos passava por um pequeno problema de quase 70 kilos chamado Taurus um rottweiler lindo monstrengo de meter medo só de olhar. Ana Paula havia se mudado e o único local que se poderia deixar Taurus era numa sacada cujo acesso era por uma escada ingrime em caracol. Taurus foi sedado e colocado lá na esperança de que quando acordasse retornasse sua vida normal de caminhadas. Ana é uma moça muito cuidadosa e preocupada com a qualidade de vida de seus cães, sim cães, pois junto com Taurus ainda vivia Mikey um poodle lindinho que parecia “reizinho” da casa.

O problema é que Taurus não conseguia descer a escada de caracol e a cada tentativa ele se colocava mais irredutível à decisão de aprender a descer. Pela internet dávamos dicas, trocávamos opiniões, torcíamos para que Taurus tomasse coragem de enfrentar a escada. Mas nada.

Taurus enfrentava todos que o forçassem, mas não enfrentava seu medo. Já iriam completar seis meses que Taurus se mantinha na sacada. Todos sabem de minha loucura por rottweilers e aqui de Franca ficava imaginando o coitado louco para dar uma volta, mas ninguém o convencia.

Então, numa manhã sem pensar entrei em contato com Ana e disse:
– Eu faço o Taurus descer. Ana desanimada dizia que já havia procurado ajuda profissional, mas que a pessoa disse ser impossível de ser feito devido ao grau de inclinação da escada e o temperamento de Taurus em aceitar a forcinha. Então resolvi tomar uma atitude e disse que iria até o Rio De Janeiro resolver esse probleminha e que Taurus iria sim aprender a subir e descer a escada.

… continua na próxima postagem