O amor verdadeiro

lucky

Numa quinta feira, dia 22 de Julho de 2010, fiz uma apresentação com palestra no SESI, para crianças da colônia de férias, o tema era: “amor verdadeiro”.

Eu falava das mais diferentes formas de amor e suas vertentes. Levei meu filho Fellipe comigo que sentado com as outras crianças me olhava e ouvia atentamente. Após a palestra, fiz uma breve apresentação com Andora.

No final, contei que minha rottweiler Kaoma estava muito doente e ela era o motivo de eu estar ali fazendo aquela palestra. Kaoma pra quem não sabe foi minha primeira cadela terapeuta, uma rottweiler. Hoje meu projeto leva seu nome em homenagem a ela.

Contei um pouco de nossa tragetória, de nossa luta para chegar onde estou. Num dado momento minha voz trêmula e embargada foi coberta por silenciosas lágrimas que caiam de meus olhos.

Os aplausos das crianças que assistiam deixavam o ambiente ainda mais emocionante. Corri os olhos ainda embaçados na plateia pra ver se via meu filho, pois era a primeira vez que eu o deixava me ver chorando.

Então vi quando Fellipe se levantou caminhou até mim, me abraçou, me puxou para baixo e disse no meu ouvido: “Muito bem pai, parabéns, foi muito bom, te amo!”. Meu peito apertava, sensação de que iria explodir, depois mais calmo tive a certeza que estava tomado totalmente por um amor verdadeiro…

Força, amigo Zeus

dino3

Minha vida é movida por cães, leio cães, escrevo cães, estudo cães, trabalho cães não posso dizer que almoço e janto cães porque não é verdade, mas quando estou comendo eles também estão.

A maioria de meus alunos eu vi crescer, alguns me deixam depois de algum tempo, mas ficam guardados na minha memória para sempre, esqueço o nome e o dono, mas não esqueço do meu aluno.

Zeus é um aluno diferente está comigo desde que eu e seu dono Gustavo Gasparoto fomos buscá-lo numa casa próximo a rodoviária. O pai de Zeus se chama Moisés um enorme labrador caramelo, cabeçudo lindo. Zeus nasceu negro como a noite, mas com um brilho de luar no peito em forma de uma manchinha branca, escolhido por Gustavo justamente por esse detalhe.

Treinei Zeus como se fosse meu e logo Zeus se tornou parceiro de Kaoma minha rottweiler terapeuta. Zeus também levou muita alegria a crianças e idosos em apresentações. Passou a fazer parte de minha equipe de terapeutas mais bem treinados.

Aposentado desde os 7 anos, eu e Zeus passamos muitos mas muitos bons momentos juntos e dos maus momentos também. Certa vez estávamos parados na avenida Ismael Alonso y Alonso em cima da calçada esperando para atravessar quando fomos atropelados por um carro que ao tentar estacionar, acertou o para-choque na cabeça de Zeus fazendo-o convulsionar bem na minha frente.

Mas, para minha sorte e a de Zeus, estávamos a poucos metros de uma clinica veterinária e eu, no desespero com ele nos braços, entrei corrento pedindo socorro e com toda rapidez conseguimos salvar Zeus que ficou internado por 2 dias e foi liberado em seguida para viver sua vida normalmente.

Zeus é bem amado por seus donos que não medem esforços para tratá-lo praticamente como um membro da família. Num outro susto, Zeus retirou um tumor próximo ao ânus que graças a Deus não voltou.

Como eu disse, sempre acompanhei e acompanho a vida de Zeus. Cuidei das cruzas dele, arrumando namoradas, verificando alimentação e levando ele nas minhas sessões de cão terapia. Hoje, aos 14 anos, com catarata, surdo com dificuldade de movimentar e com uma insuficiência cardíaca, vê-lo na velhice me dá um pouco de nostalgia, tristeza, pois ele é minha ponte com a cadela que mais amei Kaoma e, por consequência, o quero muito bem, muito mesmo.

Relembrar nossas atividades juntas onde Zeus e Kaoma eram verdadeiros parceiros de apresentações. APAES, Azilos, Creches, Mac dia feliz, expocães, gincanas, desfiles de 7 de setembro, fomos em tudo que éramos convidados. Mas a vida não para para ninguém nem mesmo para esses anjos e para eles costuma ser mais cruel, pois o tempo passa muito rápido.

Esta semana Zeus foi diagnosticado com um tumor na traqueia, gravíssimo. Minha amiga Dra. Flavia Novelino fez a cirurgia para retirada deste tumor que estava dificultando meu amigo a comer beber e respirar. Hoje fui buscá-lo e, ao pegá-lo na clinica, Zeus me recebeu como se nada estivesse acontecendo, abanando o rabo, tossindo, com dificuldade de andar foi até o carro parou na porta e me olhou como se pedisse ajuda para subir, suas pernas que antes faziam truques de saltar andar apenas em duas patas mal conseguiam sustentar seu corpo cansado.

Segurei seu corpo e o ajudei a subir, me veio a imagem de Kaoma passando por tudo aquilo novamente e num relance meu coração angustiou, os olhos merejaram então chorei. Segui destino a sua casa, a vontade era levá-lo para minha, onde eu pudesse acompanhá-lo, ajudá-lo, retribuir tudo que me proporcionou.

Mas seus donos são muito leais a ele e Zeus agora está em casa, recebendo os cuidados corretamente e minha mente está lá com ele. Força Zeus, estou com você nas orações assim como todos que amam cães e sabem o que você está passando, estão todos orando por você!

Como é Amar um Cão?

cao amor

Cães estão mais conectados com o mundo espiritual do que nós humanos, podem ter certeza disso. Ao contrário dos humanos, eles não perdem sua conexão com Deus, por isso, muitas vezes são chamados de anjos, pois de uma maneira simples, mas de maneira profunda nos ajuda a entender a vida.

Quantos cães em estado terminal você viu lamentar ou reclamar de dor? Cães, mesmo desprovidos de juventude, tentam nos passar felicidade e a mensagem de estarem ainda ali, ligados a nossa alma. Muitos mesmo sem conseguir se movimentar totalmente ainda insistem num abanar de cauda ou simplesmente nos seguem com os olhos. Eles já nascem sabendo fazer isso.

Lembro-me de Brisa, filha de Kaoma a qual relato sua breve passagem por este mundo, no meu livro “Um Anjo Chamado Kaoma”. Brisa quando nasceu foi rejeitada por Kaoma que insistia pelo instinto não criá-la por isso se recusava a amamentá-la e muitas vezes rosnava para ela. Eu na minha insistência obrigava Kaoma a amamentar obrigando a se deitar e permanecer com a filhote ali até que esta se saciasse.

Brisa depois de algum tempo apresentou uma insuficiência renal e teve que ser internada as pressas e na minha última visita, a encontrei deitava numa mesa sob uma almofada, amarrada com soro ligado em sua pequena veia, as únicas coisas que se mexiam eram seu rabinho, sua cabecinha que se levantava um pouco e seus olhos.

Ao entrar Brisa me reconheceu pela voz, batia o rabinho na mesa, me aproximei já sabendo da noticia que ela poderia não sobreviver, pois os rins haviam parado. Aproximei meu rosto daquele focinho gelado e no meu ouvido deixei Brisa respirar. Conversei com ela por alguns minutos agradecendo pela alegria que ela trouxe a minha casa e elogiando sua força para continuar viva.

Ao me retirar, pude ver seus pequenos olhos me acompanhando, e caminhando pelo corredor da clinica eu escutava seu rabinho batendo na almofada e o som ficando cada vez mais longe. Poucas horas depois recebi a noticia que Brisa havia morrido. Tão pequena, tão frágil, tão nova, tão guerreira sem nenhum ganido sem reclamar

Brisa aceitara seu destino. Até hoje quando estou adestrando e um vento leve me acaricia a orelha, lembro-me de Brisa um pequeno anjo que passou por aqui e em pouco tempo deixou muita lição para se aprender. Eu poderia explicar como é amar um cão, mas não iria adiantar se você não tiver um. Agora, quem tem, não precisa de explicação.

Imagens de Apoio? Prefiro palavras de Apoio!

rott1

Sinto muito pela família da criança, sinto muito pelo dono do cão e sinto muito pelo rottweiler.

Vendo a reportagem de capa do ‘Comércio da Franca do dia 31/05/2014 (sábado) resolvi comentar, pois quando acontece uma infelicidade de um cão atacar alguém as pessoas querem sempre uma opinião minha. Alguns ficam parados em silêncio olhando o que um “especialista” irá dizer, seja para apoiar ou “cair de pau” me chamando de idiota ou ignorante.

Muitos sabem que sou fiel naquilo que acredito pelo menos até que me provem o contrário. Tenho minha opinião formada e antes de obter minha opinião me baseio em fatos, vivência e isso tudo adquiro a cada dia. No meio em que trabalho vivencio situações do cotidiano canino onde algumas encaro com naturalidade outras com repudio. Respeito todas as opiniões, pois elas também foram formadas a partir de informações que a pessoa tem ou por vivência, mesmo que poucas ou pequenas. Mas o que se espera é que as pessoas tenham o bom senso de mudar assim que obtêm algo mais concreto do que elas tinham até formarem sua primeira, sua segunda ou terceira opinião. Como disse certa vez, no Brasil existem os experts de plantão que são especialistas no assunto do momento e as idiotices e o que vejo de comentários sem nexo são sem noção, como: “essa raça foi criada em laboratório”; “o rottweiler tem o cérebro grande demais e sua cabeça não comporta”; “esse cão é o demônio, eu vi num filme em que o demônio reencarnava nele”, e assim por diante.

rott

Uma emissora de TV me ligou solicitando um rottweiler para coletar imagens de apoio, poderia ser qualquer só tinha que ser da mesma raça e que era apenas para completar a reportagem. Sugeri que pegassem imagem de um ser humano qualquer representando a irresponsabilidade. Será que, quando um padre ou pastor comete pedofilia ou um politico é acusado de corrupção, eles pegam imagens do papa para usar de apoio ou de qualquer politico pra representar a corrupção? O ser humano acha que é Deus, julga, condena e mata o que lhes convém.

Um casal joga uma criança da janela de um apartamento, uma filha mata os pais dormindo, ladrões matam um bebê no colo da mãe porque estava chorando, são presos e logo voltam pra sociedade. Um cão mata uma criança e em 10 dias é condenado a morte. Agora muitos estão dizendo do alto do monte olimpo onde moram os deuses: adota ele Dino, leva pra viver com seus filhos! Sim, eu levaria, se tivesse mais espaço, pois eu, como adestrador, assim como muitos que os tem, sabemos os cuidados que devemos ter com certas raças. Pessoas que repudiam a raça são pessoas que tem acesso apenas as más informações, textos de repórteres bem redigidos com palavras fortes rebaixam a raça, formam opiniões e alienam a população.

Onde estava esta mídia a 15 anos atrás quando minha Rottweiler Kaoma fazia o trabalho de terapeuta, visitando asilos, cheches e hospitais? Onde estavam quando lancei meu livro contanto toda a histária dela? Com certeza atrás de sensacionalismo! Mal sabem eles que tive uma rottweiler sensacional.

Veja o vídeo e entendam um pouco mais do que estou falando: