Erliquiose canina

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Estava em casa esse final de semana quando notei o focinho de minha cadela Andora sangrando. No primeiro momento achei que ela tinha se machucado, mas o sangramento continuou. Chamei a Dra. Flávia Novelino e através de exames foi detectada que ela estava com a “doença do carrapato”. A Erliquiose é uma doença infecciosa severa que acomete os cães, causada por bactérias do gênero Ehrlihia, sendo a principal a Ehrlichia canis.

Conheça um pouco mais sobre esta doença que vem aumentando significativamente nos últimos anos, em todas as regiões do Brasil.

Como o cão é contaminado?
A transmissão entre animais se faz pela inoculação de sangue proveniente de um cão contaminado para um cão sadio, por intermédio do carrapato.

Qual é o vetor da doença?
O principal vetor da enfermidade é o carrapato marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus). No entanto, a infecção também poderá ocorrer no momento de transfusões sangüíneas, através de agulhas ou instrumentais contaminados. O mesmo carrapato pode transmitir a babesiose, que em algumas situações pode ocorrer juntamente com a Erliquiose.

Quais são os sinais clínicos da Erliquiose?
Os sinais clínicos podem ser divididos em três fases: aguda (início da infecção), subclínica (geralmente assintomática) e crônica (nas infecções persistentes). Nas áreas endêmicas, observa-se freqüentemente a fase aguda da doença caracterizada por: febre (39,5ºC – 41,5ºC), fraqueza muscular, perda de apetite e de peso. Menos freqüentemente observam-se secreção nasal, perda total do apetite, depressão, sangramentos pela pele, nariz e urina, vômitos, dificuldade respiratória ou ainda edema nos membros. Este estágio pode perdurar por até 4 semanas e, ocasionalmente, pode não ser percebido pelo proprietário.

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Caso o sistema imune do animal não seja capaz de eliminar a bactéria, o animal poderá desenvolver a fase crônica da doença. Nesta fase, a doença assume as características de uma doença auto imune, com o comprometimento do sistema imunológico. Geralmente o animal apresenta os mesmos sinais da fase aguda, porém atenuados, e com a presença de infecções secundárias tais como pneumonias, diarréias, problemas de pele dentre outras. O animal pode também apresentar sangramentos crônicos devido ao baixo número de plaquetas (células responsáveis pela coagulação do sangue), ou cansaço e apatia devidos à anemia.

Como a Erliquiose é diagnosticada?
O diagnóstico é difícil no início da infecção, pois os sintomas são semelhantes a várias outras doenças. A presença do carrapato e a ocorrência de outros casos da doença na região, podem ser importantes para se confirmar a suspeita clínica. O diagnóstico pode ser feito através da visualização da bactéria em um esfregaço de sangue (exame que pode ser realizado na clínica veterinária) ou através de testes sorológicos mais sofisticados, realizados em laboratórios especializados.

Como tratar?
O objetivo do tratamento é curar os animais doentes e prevenir a manutenção e a transmissão da doença pelos portadores assintomáticos (fase sub-clínica e crônica). O antibiótico conhecido como “DOXICICLINA”é considerado o principal medicamento no tratamento da Erliquiose em todas as suas fases.

Qual a duração do tratamento?
Os critérios para o tratamento variam de acordo com a precocidade do diagnóstico, da severidade dos sintomas clínicos e da fase da doença que o paciente se encontra quando do início do tratamento. O tratamento na fase aguda pode durar até 21 dias e na fase crônica até 8 semanas.

Qual o prognóstico da doença?
O prognóstico depende da fase em que a doença for diagnosticada e do início da terapia. Quanto mais cedo se diagnostica e se inicia o tratamento, melhores são as chances de cura. Em cães nas fases iniciais da doença, observa-se melhora do quadro clínico após 24 a 48 horas do início do tratamento.

Como prevenir a doença?
A prevenção da doença é muito importante nos canis e no locais de grande concentração de animais. Devido a inexistência de vacina contra esta enfermidade, a prevenção é realizada através do tratamento dos animais doentes e do controle do vetor da doença: o carrapato. Para tanto, produtos carrapaticidas ambientais e de uso tópico são bastante eficazes.

Esta doença pode ser transmitida para o homem?
Sim. Apesar de até hoje não existirem evidências de que a Erliquiose possa ser transmitida para o homem, existem outras espécies de Ehrlichia que podem ser transmitidas, pelo carrapato, para os cães e para o homem. Os casos de Erliquiose humana vêm aumentando muito em países como os Estados Unidos. No Brasil, esta doença ainda é pouco diagnosticada em humanos.

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Uma difícil decisão

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O telefone toca!

Uma voz engasgada do outro lado.

– É o Dino?!
– Sim, sou eu.
– Precisava que você levasse meu cão ao veterinário.

Não faço transporte de animais, mas algo me dizia que tinha que ser eu. E fui.

Chegando ao local uma senhora me atendeu e pediu para esperar que ela iria trazer seu cão.
Trazendo pela guia bem lentamente um setter irlandês de 15 anos, andando muito devagar o pelo todo raspado, cheio de feridas, e em baixo da barriga, vários tumores abertos, onde as moscas não o deixavam em paz.

Aparentemente cansado, sua dona me entrega a guia, seus olhos cheios de lagrimas não conseguiam encarar mais aquela situação. Ao voltar seu olhar pra mim ela pergunta:

– Você é o Dino adestrador?
-Sim. Sou eu mesmo.
– Foi você que adestrou ele há uns 14 anos.

Então,toda cena na cabeça onde eu adestrava um filhote de setter, o qual não poderia esquecer, pois em vários anos havia sido apenas dois adestrados por mim.

Me abaixei e segurando o rosto daquele velho cão cansado, comecei marejar meus olhos de tristeza, lembrando bons momentos entre eu e ele. Levantei, segurei a guia e disse “JUNTO” batendo na perna e andando e ele prontamente ficou ao meu lado. Dei o comando “ALTO” em seguida “SENTA” e “DEITA” e ele relembrando todo exercício o fez como um bom e fiel amigo.

Sua dona chorava de emoção misturado a tristeza da condição de saúde dele. Mandei o “FICA” e ele também obedeceu, parado alguns segundos até que eu o chamasse para perto de mim.

O coloquei no carro e sua dono disse:

– É só deixa-lo no veterinário. Já deixei tudo certo!!!

Fiquei com medo de perguntar o que ele iria fazer, mas meu coração já sabia que não seria boa coisa, pois toda situação conspirava para algo ruim.

No veterinário, tive a confirmação: seria uma eutanásia. Ele estava com o câncer tomando conta de órgãos vitais e aquelas feridas não cicatrizavam mais. Me restou pedir a veterinária que se eu pudesse, gostaria de ficar ali segurando a pata daquele cão no momento tão difícil. Assim foi feito.

Meu amigo morreu de maneira tranquila, sem sofrimento, na certeza que seu dever estava cumprido aqui neste mundo.

Dia difícil. Muito difícil.

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Quando é hora de optar pela eutanásia?

Decidir pelo fim da vida de seu animal de estimação requer sangue frio, mas colocar fim ao sofrimento de seu cão também é um ato de amor.

Decidir pela eutanásia de um animal de estimação não é uma tarefa fácil. O processo exige dos donos muita compreensão sobre o momento que o bicho está passando, e muita sensibilidade por parte dos médicos veterinários para explicar quando o sofrimento do animal torna-se maior do que a vontade de que ele continue vivo.

Meu objetivo não é debater se a eutanásia é algo certo ou errado, se é algo aprovado por Deus ou não. Deixo aqui minha vivencia de alguém que os ama, recolhe animais de rua e tenta dar a eles uma segunda chance.

Sei que é complicado para um dono optar por sacrificar seu cão. Nós acompanhamos seu desenvolvimento, o vimos quando ainda era apenas uma bolinha de pelo e decidimos por sua vida ao nosso lado, então decidir por sua partida nos torna culpados e sempre fica aquele
pensamento: “será que fiz a coisa certa?”

A eutanásia deve ser realizada apenas em situações em que o animal não tem mais qualidade de vida: quando não come mais e não demonstra vitalidade. A primeira pergunta que os donos fazem é se ele vai sofrer. E a resposta é não, na eutanásia ele não sente nada.

Se você tentou de tudo, e ainda sim seu cão está com dores, criando escaras de ficar deitado e mesmo o virando, as feridas continuam aumentando,tenha certeza que está fazendo a coisa certa.

Deixar um animal sofrer, no meu ponto de vista, é mais desumano que interromper este sofrimento. Por isso ao ter que tomar esta decisão coloque num papel todos os pontos positivos de mantê-lo vivo por quem sabe alguns dias e os negativos.

Tenha certeza que seu coração irá falar mais alto te ajudando a tomar a decisão correta.

Boa sorte!