Vivência

cão vivencia

Vivenciei uma época em que ninguém dava bola pra raça.
Vivenciei uma época em que se dava angu cozido com carne para o cão da casa.
Vivenciei uma época em que o chamado rabo do tatu ficava pendurando próximo a porta da sala e este servia para bater nos cães da casa que tentavam entrar.
Vivenciei uma época em que se esfregava o focinho do cão na urina para ele aprender que ali não era o lugar certo
Vivenciei uma época em que a unica vacina do cão era a de raiva.
Vivenciei uma época em que se dava banho de mangueira com sabão de cinzas no cão e o deixava secar no sol.
Vivenciei uma época em que quebrava ovo quente na boca do cão que roubava o galinheiro.
Vivenciei uma época em que todo mundo chamava o cão da casa de “tio”
Vivenciei uma época em que se prendia o cão durante o dia e soltava anoite para ficar bravo.
Vivenciei uma uma época em quase ninguém sabia o que era crueldade.
Vivenciei uma em que se enterrava o cão no fundo do quintal.
Vivenciei uma época em que se matava pra se ter um controle populacional de cães.
Vivenciei uma época em que as coisas começaram a mudar.
Vivencio uma época em que muitas pessoas estão mudando graças a estes seres especiais.
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Com um cão, ninguém pode reclamar de solidão

dogsCerto dia, numa fila do banco, onde muita gente impaciente resmungava os mais diversos assuntos, me vi conversando com uma senhora. Sabe aqueles papos que você nem lembra como começou? Foi assim!

Ela me dizia que havia perdido o marido naquele mês, após um sofrimento quatro anos com mal de Alzheimer. Não estava acostumada a sair de casa e ficar tanto tempo fora, pois tinha horários de remédios para cumprir e ele não podia ficar sozinho. Os filhos cresceram e cada um foi para um lado tocar a suas vidas, e agora ela se sentia sozinha e inútil. Naquele instante me veio a ideia de dizer: “arrume um cão’.

– Um cão? – perguntou

-Sim! Um cão. Ele vai ajuda-la a passar por esta fase. Garanto que terá um ótimo motivo pra voltar para casa.

– Tem razão moço. Para quem cuidou de uma pessoa com Alzheimer, um cão será fácil.

Passado algum tempo, não me lembro quanto, andando pelo calçadão da Praça Barão, ouço uma voz de senhora chamando.

– Moço. Moço. Moço!

Olhei e vi que era comigo, ela então caminhou em minha direção.

– Nossa, moço! Deixa eu te dar um abraço. Lembra aquele dia que conversamos na fila do banco? Pois é, arrumei um cãozinho, um bassezinho, lindo, sapeca e bagunceiro, mas como você disse, ele completou o que eu sentia falta. Alguém que precisasse de mim. Muito obrigada. Agora deixa eu ir, pois tenho que dar comida pra ele”, disse ela, que logo foi embora.