Luz, câmera, ação!

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Chamado para fazer um trabalho para uma agência de publicidade em São Paulo, lá fui eu com a minha fiel golden retriever Andora para Cotia/SP.

Para um cão, uma viagem de 4 horas é bem cansativo e estressante e pequenas paradas se fazem necessárias para abaixar o estresse e a temperatura que se elevam dentro do carro. Fizemos duas paradas estratégias. Mesmo assim notei que Andora ainda estava um pouco tensa.

Se não bastasse, o local em Cotia não era do agrado para gravar as cenas e foi decidido que o melhor seria gravar numa mansão que existente no bairro do Sumaré dentro de São Paulo. Formam mais 60km, mas agora com sol forte e temperatura de quase 40 graus. Andora aguentou firme o trajeto, mas durante o dia se mostrou bem cansada e por isso as gravações das cenas que ela aparece ficaram para o outro dia.

Na casa onde as gravações serão realizadas mora o Café um Boxer castrado que anda atrás de seu dono o tempo todo. Ao chegarmos ele disse que seu cão era bem educado e que se soubesse que tinha um cão na cena, tinha oferecido ele para fazer o trabalho.

Trabalho com cães e donos a mais de 20 anos e notei um ar de inveja. Seu dono querendo mostrar que tinha um cão tão “educado” quanto o meu e ficava desfilando de um lado para o outro, o que me deixou preocupado. Eu puxava conversa com ele e ele me respondia somente o necessário. Notei ali que tinha um “q” de não vou com sua cara. Então a última coisa que eu disse foi: “cuidado, pois seu cão não gostou da presença da Andora, notei isso pela postura dele e o jeito que ele olha para ela”.

Por fim minha artista se acomodou embaixo de um banco de madeira para um merecido descanso. Deixei ela dormindo enquanto a equipe de contra regras decidia que luzes montar e fui ao banheiro. Num dado momento escutei uma gritaria e sons de cães se atracando. Era Café que veio tirar satisfações do porque aquela cadelinha estava em seu ambiente. Sai correndo até o local e a situação ja estava sob controle, mas Andora estava com focinho machucado e tremendo muito.

Desta vez exigi os direitos de Andora como atriz principal e disse: “ou esse cão sai do cenário ou estamos indo embora. Claro que o mal educado foi retirado. E as ultimas palavras que ouvi foram: “nossa, nunca vi ele fazer isso!”.

Por isso se contrata cães profissionais para trabalhos profissionais. Cães realmente educados tem que ser submetidos a várias situações e mesmo sob estresse se mantêm firmes para brilhar.

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Como é feito um treinamento de guarda

guarda

Existem ainda muitos mitos envolvendo a atividade de guarda. Estes mitos são baseados em afirmações falsas, muitas vezes não passam de suposições, ou até mesmo de superstições.

Qualquer cão pode ser ensinado a fazer guarda?!

Não! O problema acontece com os cães de raça. Todas as raças são desenvolvidas a partir da seleção genética de cães com determinadas características, consideradas mais desejáveis para determinada atividade.

É assim que achamos cães de caça com um olfato muito mais apurado do que nos cães de companhia, por exemplo. Os cães de companhia, por sua vez, são mais delicados, menos desajeitados, que os de caça. E assim por diante. Com isso, desenvolveu-se cães com características instintivas diferentes. Portanto, para termos um cão de guarda precisamos escolher cães com características próprias para a guarda.

Um cão de 5 meses é um filhote, e está longe da idade de começar a demonstrar sinais de agressividade. O cão de guarda só começará a desenvolver sua agressividade, e sentido de territorialidade, quando estiver se tornando adulto. Nos cães de porte grande isso começa a acontecerá somente depois que o cão fizer 2 anos. Nesta época há uma grande mudança no temperamento do cão, fazendo com que ele fique mais bravo. É nesta época, também, que o proprietário, mais do que nunca, precisa reforçar sua Liderança sobre o cão.

O cão de guarda deve ser agressivo somente ao atacar um intruso, ou agressor. Porém, no seu dia-a-dia é desejável que ele seja o mais calmo e estável possível. Desta forma teremos uma casa devidamente guardada, sem, no entanto, que precisemos colocar qualquer pessoa em risco.

Se você considerar que a capacidade que um cão tem de atacar um estranho for semelhante à posse de uma arma de fogo, quem você acharia que seria o melhor portador deste revólver: uma pessoa super agressiva, que a qualquer provocação reage de forma exagerada, ou uma pessoa sensata e de temperamento estável? Não é difícil responder: é evidente que a pessoa sensata e de temperamento estável é a melhor opção.

Com os cães a coisa funciona do mesmo jeito. Um cão muito agressivo jamais será capaz de avaliar se uma situação é de fato perigosa ou não, pois para ele qualquer situação desencadeia uma atitude agressiva. No entanto se tivermos um cão calmo, obediente e de bom temperamento, teremos uma guarda muito mais efetiva, diminuindo muito o risco de acidentes desagradáveis.

O bom cão de guarda deve ser obediente, calmo, seguro, sociável e valente. Tais características só contribuirão para que ele tenha um bom discernimento quanto ao real perigo, ou não de uma situação.

Por um fio

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Fui chamado por um cliente para verificar a possibilidade dele adotar e eu ensinar um dogue alemão de 3 anos a andar sem arrastar.

Chegando ao local encontrei Fred, que realmente era um cão monstruoso, enorme, vistoso, de causar medo.

Seu novo dono me disse que o adotou pelo fato do dono anterior não tinha espaço nem tempo para caminhadas e que ele sim tinha tais isso em sua vida, mas antes precisaria que Fred parasse de arrastar.

Me aproximei dele e como não notei sinais de perigo, coloquei o dorso da minha mão em frente ao seu nariz recebi uma lambida na mão e retribui com um carinho na sua cabeça. Disse, que poderiamos agendar algumas aulas e na próxima semana iniciaria.

Passado 7 dias retornei dessa vez para ensinar Fred a andar sem arrastar. Fred dessa vez estava preso num cercado com grades baixas na altura do seu peito. Como transitava muita gente no local, seu dono tinha medo que Fred saísse pelo portão e causasse algum acidente, já que muita gente tinha medo do cão (mas pelo seu tamanho do que pelo seu comportamento).

Ao me aproximar notei que apostura de Fred não era a mesma da primeira vez, conversei com um pouco e iniciei uma conversa com seu dono enquanto acariciava sua cabeça. Fred continuava indiferente sem abanar a cauda, boca fechada e foi quando notei os lábios superiores se movimentaram milimetros, era um sinal que Fred não estava curtindo minha presença no local. Tirei a mão e continuei olhando para seu dono, mas dessa vez eu disse:
– Segura ele, pois ele vai pular para me pegar.

Seu dono ficou surpreso, pois não conseguira ver nada que levasse ao possível ataque. Continuei repetindo:
– Segura ele, pois ele vai me atacar – e me afastei “tranquilamente”, tentando controlar minha ansiedade, não respirando forte para que Fred não sentisse o cheiro da minha adrenalina. Seu dono continuava surpreso e dizendo que não ia.

Quando eu ja estava uns 3 passos de distância, Fred colocou as patas dianteiras sobre a grade que o cercava, seu dono foi tentar contê-lo pela coleira e tomou uma mordida na mão e logo o soltou. Fred com seus 70 ou 80 kilos pulou a pequena grade e eu disparei correndo em direção ao portão, vendo que o portão estava fechado me joguei no muro, num lance só e quando eu já atravessava para o outro lado senti o bafo de Fred nas minhas pernas… Escapei por um fio!

Fred como todo Dogue Alemão havia criado seu território, não aceitava a presença de estranhos e isso é bem característico da raça. Por sorte consegui ver os sinais do possível ataque a tempo, coisas que só um profissional com tempo, observando e estudando o comportamento dos cães, consegue. Quando estudamos conseguimos notar estes sinais mesmo que milimétricos e isso nos ajuda a sair de algumas situações perigosas.

Continua…

Cão que ladra não morde ou talvez sim!

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Você já deve ter ouvido falar deste ditado. Na verdade não é bem assim, tudo depende da maneira que o cão esta latindo.

Cães inseguros latem desesperadamente quase perdendo o fôlego, o rabo fica baixo, às vezes entre as pernas, as orelhas ficam para trás e junto com os latidos vem aqueles pulinhos para trás, se ele estiver preso na corrente ela costuma ficar frouxa, ou seja, com “barriga” mostrando que o cão não esta fazendo força pra ir te atacar.

Já um cão confiante late compassado, respirando a cada latido sem perder o fôlego, a cauda em pé orelhas para frente peso do corpo posicionado a frente como se fosse iniciar uma corrida, se estiver preso a corrente esta fica o tempo todo tencionada, alguns arrepiam o pelo, mas mesmo os sem confiança também podem faze-lo.

O correto ao chegar na casa de alguém é pedir que o dono prenda o cão ou segure-o, pois mesmo um cão manso pode sentir o cheiro da sua adrenalina ou perceber seu medo e te atacar. Por isso ouvimos muitas histórias de donos dizendo: “nossa isso nunca aconteceu, ele nunca atacou ninguém é a primeira vez”.

Bom, cuidado, principalmente agora que vocês sabem que alguns cães que latem também mordem.

Sou atacado todos os dias

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Sofro ataques de raças perigosas todos os dias, ataques de carinho, amor, fidelidade, nunca saí machucado pelo contrário sempre renovado.

Depois que lancei uma campanha no meu Facebook para as pessoas postarem fotos e depoimentos sobre seus cães perigos, foi uma chuva de apoio a causa e nada melhor que homenagear essas pessoas do que postando aqui no meu blog.

Vamos lá!! poste uma foto no face junto com seu cão “assassino”.

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Após ataque na semana passada, rottweiller vira assunto nas redes sociais

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A história do rottweiler que atacou a criança em Patrocínio Paulista gerou muito debate nas redes sociais. Mas muitos desses debates viraram ataques pessoais onde pessoas defendem suas opiniões com unhas e dentes.

Meu Facebook choveu de perguntas sobre a raça e vou aproveitar este espaço para responder a algumas delas.

O rottweiler foi criado em laboratório?

Não! O rottweiler é uma das raças mais antigas que se tem notícia. Há relatos de rottweilers acompanhando legiões romanas nos Alpes, servindo de guarda para homens e ajudando na condução do gado. O rottweiler herdou seu nome da antiga cidade de Rottweil: Rottweiler Metzgerhund (Cão de açougueiro de Rottweil – uma vez que os açougueiros criavam a raça com a única finalidade de trabalho). O fato de ter chegado ao Brasil em 1970 não quer dizer que ele veio de outro mundo ou de um tubo de laboratório.

 

O rottweiler é uma raça agressiva?

Não! O rottweiler tem uma personalidade marcante, ele é apegado ao dono, mas indiferente com estranhos. Sua maturidade é atingida aos dois anos por isso a maioria dos ataques se dá nessa idade onde donos não estão atentos aos sinais de que o cão chegou a idade adulta. Essa falta de liderança faz com que o cão a assuma.

 

Posso criar meu rottweiler com crianças?

Sim, como qualquer outro cão! Mas nunca se deixa uma criança sozinha com um cão de guarda, não por não confiar no cão, mas sim por não confiar na criança.

 

Mas alguns rottweilers são agressivos. Por quê?

Quando se é criador sério o mesmo preza pelas características não somente físicas, mas psicológicas do cão. Por isso, cães sem linhagem, comercializados de forma indiscriminada por criadores de fundo de quintal, que não submetem seus cães a testes de temperamento através de provas práticas de adestramento, recebendo um certificado que habilita o cruzamento, sempre terão maior chances de estar na mídia como “cães assassino”.

 

Devo mandar adestrar meu rottweiler?

Sim! Mas lembre-se um mal profissional também pode machucar o seu cão.

 

Que perfil precisa ter um proprietário de rottweiler?

Ter liderança, não ter medo, conhecer o animal que tem, sua linguagem de sinais, ter condições financeiras para mantê-lo, tempo para promover exercícios físicos e socialização.

 

O que você diria para as pessoas que querem exterminar a raça?

Não diria nada, pessoas que pensam em exterminar são incapazes de criar, pessoas assim podem num instante acabar com uma vida ou acabar com a própria vida. Por não conseguirem criar ideias de mudança, conviver ou pelo simples fato de terem dificuldade de entender.

Os cães ladram e a caravana passa (rs)!!!

Guarda e ataque. Qual a diferença?

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Muitas pessoas hoje em dia querem um cão que seja de companhia, carinhoso com a família, respeitoso com as visitas e cruel com ladrões.
Melhor ainda se atacar sob comando.

Mas é melhor ter um cão com uma guarda natural ou seja do próprio instinto dele, do que um mal treinado ou com um dono irresponsável.

Um cão treinado para guarda pode confundir uma criança escondida num parque com uma figurante das aulas de adestramento de guarda.

Por melhor que seja o cão, o adestrador e o dono, esse treinamento não irá funcionar como um relógio suíço.

O que ocorre com o cão treinado?

O cão treinado fica condicionado a reagir sob qualquer ameaça ao seu dono.
Treinar um cão para atacar não é como programar uma máquina, daquelas que geram sempre a mesma resposta quando ativadas. Condicionamentos precisam ser mantidos, revisados e corrigidos. E o controle deve ser maior ainda quando se lida com comportamentos perigosos, ou seja, cães sem temperamento psicológico estável.

Quando não fazê-lo?

Há quem pede para fazer em cães com temperamento medroso. pensam que este irá ficar corajoso. É verdade que com o treino muitos cães medrosos passam a atacar. Mas isso não quer dizer que deixam de ser medrosos. Mas o cão pode aprender atacar por medo o que torna mais difícil seu controle. Existe também o mito de que, para obter controle total sobre um cão, é necessário ensiná-lo a atacar e a interromper o ataque sob comando.

Alguns cães atacam mesmo sem treino

Muitos cães defendem o proprietário e a propriedade naturalmente, sem terem sido treinados. Nesses casos, é importante conseguir controlar e inibir a agressividade do animal para evitar acidentes. Esse controle é obtido por meio da repreensão do cão quando ele se mostrar agressivo diante de uma situação, a qual pode ser armada especialmente para isso.

Pense com cuidado antes de estimular a agressividade. O cão pode ser excelente defensor da propriedade e da nossa vida. Mas também pode machucar seriamente uma criança ou uma pessoa inocente e até matá-la.

É possível treinar um cão para latir e acuar um invasor sem mordê-lo.
Esse condicionamento também tende a estimular a agressividade do cão, mas não é tão perigoso quanto o treino que permite ao cão morder pessoas.

Veja o vídeo a baixo: