Varrendo a “sujeira” pra debaixo do tapete

cao sujo01

Abrindo as páginas do ‘Comércio da Franca’ do dia 06/08/2014, mais precisamente na página A4, me deparei com a matéria “Dona de casa busca pais para cães abandonados”.

A matéria dizia que ela abriu o portão do condomínio onde mora, na tarde de segunda feira, e se deparou com filhotes de cães abandonados dentro de uma caçamba de lixo.

Eram 9 filhotes com poucos dias de vida todos pretinhos. Se não bastasse, ao conferir mensagens de amigos, meu amigo Paulo Horácio, um dos cuidadores deste blog, me enviou uma matéria sobre um cão encontrado na rua. Seu pelo havia tomado conta de seu corpo dificultando até mesmo sua caminhada. Somente com três horas de tosa se conseguiu enxergar seu rosto e ver totalmente seu corpo.

cao sujo02

Para algumas pessoas parece coisa difícil de acontecer, mas para nós que vivemos no meio canino podemos dizer que acontece a todo instante. Veja o exemplo esse cão na foto. Nas ruas do Canadá esse filhote era confundido com lixo ou um boneco de pelúcia velho e acabado, seus pelos o deixavam totalmente irreconhecível. Mas uma boa alma o ajudou, o retirou das ruas e providenciou uma nova vida para ele.

Eu mesmo já presenciei e ajudei um cão deste tipo, aqui mesmo em Franca. Conseguimos ver que era um cão depois de 5 horas de tratamento de higienização.

cão sujo03

O ser humano tem a mania de se desfazer de forma cruel de animais. Ele os abandona longe de sua visão, achando que o problema estará resolvido. O lema é: “Se não vejo o coração não sente”, mas tudo isso irá refletir não somente nele, mas em toda sociedade.

Um cão abandonado na rua poderá derrubar seu filho ou você de moto, poderá causar doenças transmissíveis aos seus vizinhos. Portanto, cultive em você a posse responsável. Tenha em mente que são seres vivos que sentem frio, fome, dor e que, principalmente, sabem mais do que nós o significado da palavra “AMOR”.

Anúncios

Vivência

cão vivencia

Vivenciei uma época em que ninguém dava bola pra raça.
Vivenciei uma época em que se dava angu cozido com carne para o cão da casa.
Vivenciei uma época em que o chamado rabo do tatu ficava pendurando próximo a porta da sala e este servia para bater nos cães da casa que tentavam entrar.
Vivenciei uma época em que se esfregava o focinho do cão na urina para ele aprender que ali não era o lugar certo
Vivenciei uma época em que a unica vacina do cão era a de raiva.
Vivenciei uma época em que se dava banho de mangueira com sabão de cinzas no cão e o deixava secar no sol.
Vivenciei uma época em que quebrava ovo quente na boca do cão que roubava o galinheiro.
Vivenciei uma época em que todo mundo chamava o cão da casa de “tio”
Vivenciei uma época em que se prendia o cão durante o dia e soltava anoite para ficar bravo.
Vivenciei uma uma época em quase ninguém sabia o que era crueldade.
Vivenciei uma em que se enterrava o cão no fundo do quintal.
Vivenciei uma época em que se matava pra se ter um controle populacional de cães.
Vivenciei uma época em que as coisas começaram a mudar.
Vivencio uma época em que muitas pessoas estão mudando graças a estes seres especiais.

Como é Amar um Cão?

cao amor

Cães estão mais conectados com o mundo espiritual do que nós humanos, podem ter certeza disso. Ao contrário dos humanos, eles não perdem sua conexão com Deus, por isso, muitas vezes são chamados de anjos, pois de uma maneira simples, mas de maneira profunda nos ajuda a entender a vida.

Quantos cães em estado terminal você viu lamentar ou reclamar de dor? Cães, mesmo desprovidos de juventude, tentam nos passar felicidade e a mensagem de estarem ainda ali, ligados a nossa alma. Muitos mesmo sem conseguir se movimentar totalmente ainda insistem num abanar de cauda ou simplesmente nos seguem com os olhos. Eles já nascem sabendo fazer isso.

Lembro-me de Brisa, filha de Kaoma a qual relato sua breve passagem por este mundo, no meu livro “Um Anjo Chamado Kaoma”. Brisa quando nasceu foi rejeitada por Kaoma que insistia pelo instinto não criá-la por isso se recusava a amamentá-la e muitas vezes rosnava para ela. Eu na minha insistência obrigava Kaoma a amamentar obrigando a se deitar e permanecer com a filhote ali até que esta se saciasse.

Brisa depois de algum tempo apresentou uma insuficiência renal e teve que ser internada as pressas e na minha última visita, a encontrei deitava numa mesa sob uma almofada, amarrada com soro ligado em sua pequena veia, as únicas coisas que se mexiam eram seu rabinho, sua cabecinha que se levantava um pouco e seus olhos.

Ao entrar Brisa me reconheceu pela voz, batia o rabinho na mesa, me aproximei já sabendo da noticia que ela poderia não sobreviver, pois os rins haviam parado. Aproximei meu rosto daquele focinho gelado e no meu ouvido deixei Brisa respirar. Conversei com ela por alguns minutos agradecendo pela alegria que ela trouxe a minha casa e elogiando sua força para continuar viva.

Ao me retirar, pude ver seus pequenos olhos me acompanhando, e caminhando pelo corredor da clinica eu escutava seu rabinho batendo na almofada e o som ficando cada vez mais longe. Poucas horas depois recebi a noticia que Brisa havia morrido. Tão pequena, tão frágil, tão nova, tão guerreira sem nenhum ganido sem reclamar

Brisa aceitara seu destino. Até hoje quando estou adestrando e um vento leve me acaricia a orelha, lembro-me de Brisa um pequeno anjo que passou por aqui e em pouco tempo deixou muita lição para se aprender. Eu poderia explicar como é amar um cão, mas não iria adiantar se você não tiver um. Agora, quem tem, não precisa de explicação.

Sou atacado todos os dias

ataque1
Sofro ataques de raças perigosas todos os dias, ataques de carinho, amor, fidelidade, nunca saí machucado pelo contrário sempre renovado.

Depois que lancei uma campanha no meu Facebook para as pessoas postarem fotos e depoimentos sobre seus cães perigos, foi uma chuva de apoio a causa e nada melhor que homenagear essas pessoas do que postando aqui no meu blog.

Vamos lá!! poste uma foto no face junto com seu cão “assassino”.

ataque2 ataque3 ataque4 ataque5 ataque6 ataque7 ataque8

A agressividade do cão

chi
Muitas pessoas têm ideia errada sobre a agressividade do cão. Tem a ideia de que um labrador ou um golden retriever nunca vão se tornar agressivo, pois são raças taxadas de tranquilas e tolerantes.

Mas veja como um cão pode se tornar agressivo:

RAÇA E LINHAGEM

Um ataque pode ser determinado por vários fatores.

Muitas pessoas se surpreendem quando se deparam com um golden retriever ou um labrador agressivo. No imaginário delas, essas possibilidades não existem. Mas elas existem. E não são tão raras assim.

Isso não quer dizer que uma raça não seja, em média, mais agressiva ou dócil que outra. Por exemplo, rottweilers são mais agressivos que cockers, em média, mas há muitos rottweilers mais dóceis do que muitos cockers.

Por isso é importante conhecer a linhagem do seu cão pra prever uma futura cria com tendência agressiva.

INFLUÊNCIA DA CRIAÇÃO

O modo como lidamos com o cão influencia muito o comportamento dele. O médico psiquiatra Içami Tiba escreveu o livro Quem Ama Educa e essa é uma frase que tem que ser levada ao pé da letra por quem tem um cão.

AMOR E CARINHO NÃO BASTAM

Depois de um ataque do cão ao seu dono sempre ouço dele: “sempre dei muito amor e carinho, fiz tudo que ele queria ele me mordeu.”

Para a maioria das espécies, a agressividade é fundamental. Por meio dela se conquista território, se acasala, se consegue comida. Em alguns cães essa agressividade pode aflorar durante alguma situação ou mais tarde com a chegada da idade. É o caso dos cães machos que, na puberdade, começam a brigar com outros cães machos.

Eis alguns tipos de agressividade:

AGRESSIVIDADE TERRITORIAL

AGRESSIVIDADE POSSESSIVA

AGRESSIVIDADE POR MEDO OU DOR

AGRESSIVIDADE POR DOMINÂNCIA

O importante é prestar atenção em sinais de agressividade que são passados durante a vida do cão e se o dono não tomar atitude pode explodir e dependendo do tamanho do cão fazer um enorme estrago.

Uma difícil decisão

eutanasia1

O telefone toca!

Uma voz engasgada do outro lado.

– É o Dino?!
– Sim, sou eu.
– Precisava que você levasse meu cão ao veterinário.

Não faço transporte de animais, mas algo me dizia que tinha que ser eu. E fui.

Chegando ao local uma senhora me atendeu e pediu para esperar que ela iria trazer seu cão.
Trazendo pela guia bem lentamente um setter irlandês de 15 anos, andando muito devagar o pelo todo raspado, cheio de feridas, e em baixo da barriga, vários tumores abertos, onde as moscas não o deixavam em paz.

Aparentemente cansado, sua dona me entrega a guia, seus olhos cheios de lagrimas não conseguiam encarar mais aquela situação. Ao voltar seu olhar pra mim ela pergunta:

– Você é o Dino adestrador?
-Sim. Sou eu mesmo.
– Foi você que adestrou ele há uns 14 anos.

Então,toda cena na cabeça onde eu adestrava um filhote de setter, o qual não poderia esquecer, pois em vários anos havia sido apenas dois adestrados por mim.

Me abaixei e segurando o rosto daquele velho cão cansado, comecei marejar meus olhos de tristeza, lembrando bons momentos entre eu e ele. Levantei, segurei a guia e disse “JUNTO” batendo na perna e andando e ele prontamente ficou ao meu lado. Dei o comando “ALTO” em seguida “SENTA” e “DEITA” e ele relembrando todo exercício o fez como um bom e fiel amigo.

Sua dona chorava de emoção misturado a tristeza da condição de saúde dele. Mandei o “FICA” e ele também obedeceu, parado alguns segundos até que eu o chamasse para perto de mim.

O coloquei no carro e sua dono disse:

– É só deixa-lo no veterinário. Já deixei tudo certo!!!

Fiquei com medo de perguntar o que ele iria fazer, mas meu coração já sabia que não seria boa coisa, pois toda situação conspirava para algo ruim.

No veterinário, tive a confirmação: seria uma eutanásia. Ele estava com o câncer tomando conta de órgãos vitais e aquelas feridas não cicatrizavam mais. Me restou pedir a veterinária que se eu pudesse, gostaria de ficar ali segurando a pata daquele cão no momento tão difícil. Assim foi feito.

Meu amigo morreu de maneira tranquila, sem sofrimento, na certeza que seu dever estava cumprido aqui neste mundo.

Dia difícil. Muito difícil.

eutanasia2

Quando é hora de optar pela eutanásia?

Decidir pelo fim da vida de seu animal de estimação requer sangue frio, mas colocar fim ao sofrimento de seu cão também é um ato de amor.

Decidir pela eutanásia de um animal de estimação não é uma tarefa fácil. O processo exige dos donos muita compreensão sobre o momento que o bicho está passando, e muita sensibilidade por parte dos médicos veterinários para explicar quando o sofrimento do animal torna-se maior do que a vontade de que ele continue vivo.

Meu objetivo não é debater se a eutanásia é algo certo ou errado, se é algo aprovado por Deus ou não. Deixo aqui minha vivencia de alguém que os ama, recolhe animais de rua e tenta dar a eles uma segunda chance.

Sei que é complicado para um dono optar por sacrificar seu cão. Nós acompanhamos seu desenvolvimento, o vimos quando ainda era apenas uma bolinha de pelo e decidimos por sua vida ao nosso lado, então decidir por sua partida nos torna culpados e sempre fica aquele
pensamento: “será que fiz a coisa certa?”

A eutanásia deve ser realizada apenas em situações em que o animal não tem mais qualidade de vida: quando não come mais e não demonstra vitalidade. A primeira pergunta que os donos fazem é se ele vai sofrer. E a resposta é não, na eutanásia ele não sente nada.

Se você tentou de tudo, e ainda sim seu cão está com dores, criando escaras de ficar deitado e mesmo o virando, as feridas continuam aumentando,tenha certeza que está fazendo a coisa certa.

Deixar um animal sofrer, no meu ponto de vista, é mais desumano que interromper este sofrimento. Por isso ao ter que tomar esta decisão coloque num papel todos os pontos positivos de mantê-lo vivo por quem sabe alguns dias e os negativos.

Tenha certeza que seu coração irá falar mais alto te ajudando a tomar a decisão correta.

Boa sorte!

O cão perfeito

Uggie, o cão do filme O Artista, com o Globo de Ouro

Uggie, o cão do filme O Artista, com o Globo de Ouro

Aos amigos que sempre perguntam se seu cão está no padrão perfeito, manchas, focinho, altura, peso, eu deixo aqui o que penso:

A perfeição é uma utopia. Se existisse a humanidade não evoluiria: algo que fosse feito perfeitamente de uma vez, não mudaria, e apenas repetiríamos o mesmo processo vezes sem fim. Mesmo os grandes artistas, que fazem obras que consideramos perfeitas, dizem sempre a mesma coisa: que a obra está acabada, mas não perfeita. Porque eles sabem desse segredo vital para quem quer realizar grandes obras: a perfeição não existe porque estamos em constante processo de mudança e aperfeiçoamento. Acreditar nela apenas prejudica o seu trabalho, sua vida e até mesmo o que você ama.

O cão com estética perfeita nunca será alcançada. Um campeão não fica no topo por muito tempo, o que os experts fazem é definir um padrão a ser seguido. Mas quem diz que não podemos criar o nosso padrão de cão perfeito? Que tal o seguinte padrão: calmo, carinhoso, forte, saudável e que nos ame incondicionalmente? Acho que este é um padrão ideal.

Até porque todas as raças vêm sofrendo mutações ao longo dos anos. Basta olharmos as fotos de antigos campeões caninos. Nelas, notaremos diferença para os de hoje e daqui 50 anos notaremos outras. Isso tudo em nome da perfeição. Cão perfeito é o que você tem. Seu cão adulto talvez não serviria para mim ou para outro, pois foi moldado por você e para você.

Portanto, ame seu cão, preocupe-se apenas com a saúde e com a agressividade e verá que este é o animal perfeito, no padrão ideal pra você e toda sua família. Mas se quiser competir, adquira outro mais próximo do padrão exigido pelo Kennel Clube.