Explicando o inexplicável

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Muitas pessoas me perguntam como se faz para ser adestrador, pois gosta de animais e queria se tornar um.
Bom, no meu humilde entendimento ninguém se faz adestrador, mas se nasce adestrador. Apenas gostar não o faz apto a ser um adestrador.

Conheço inúmeras pessoas que gastaram horrores com cursos e nunca conseguiram dominar um cão. O que você aprende em cursos tem que ser acrescentando a sua dose de “feeling”, ou seja, tem que ter algo que não se consegue explicar.

Quando eu tinha 9 anos eu pegava cachorro na rua, trazia pra casa e ficava pedindo minha mãe para gente ficar com ele, mas eu não só apenas brincava, também tentava lhes ensinar algo, exigia educação e que seguissem regras.

Ao assistir uma apresentação dos cães da polícia militar de Belo Horizonte, vendo aqueles cães pastores os quais eu chamava de “policiais”, fazendo truques, tive uma sensação no coração inexplicável, uma vontade tremenda de me fazer entender e entendê-los.

Confesso que comecei errado, às vezes de maneira bruta, sem paciência, truculento. Não tenho medo de dizer e, sim, tenho vergonha dessa época, mas me orgulho de ter descoberto que estava errado e mudado a maneira de tentar me comunicar com eles.

Ao buscar dentro de mim aquele sentimento inexplicável que sentia, de interação com cães, consegui muito. Aos 12 anos eu passava horas brincando com minha cadela Xamoa, me sujava todo sem medo. Meu pai registrou numa dessas fotos essa amizade inexplicável da qual preferia do que ver TV.

A Xamoa foi minha primeira cadela adestrada. Ela sentava, deitava, fingia de morta e rolava antes de eu pensar em fazer um curso de adestramento. O tempo que eu ficava em casa tentava ensinar truques para ela.

Hoje sou um homem realizado, não financeiramente, mas espiritualmente, pois soube usar o dom que Deus me deu.

Isso que é ‘adestrador’!

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Recebo muitos vídeos de animais fazendo coisas que as pessoas ficam pasmas com tamanha inteligência. Um dos últimos que recebei veio com a seguinte frase: “veja Dino, isso que é adestrador”. As imagens mostram uma cadela olhando uma bicicleta, e o que tudo indica, o fato se passa na China. No vídeo ela está sentada parecendo vigiar a bicicleta de seu dono e quando este se aproxima, ela sobe sozinha na garupa e segue caminho deixando quem passa por ali de boca aberta. O vídeo ganhou uma grande repercussão mundial

“Que lindo!”, “o cão é fiel mesmo!”, “Deus abençoe!” e outras palavras lindas são definidas nos comentários dos internautas.

Fiquei pasmo, pois num país onde cães servem de alimento, encontrar imagens de ternura e companheirismo entre cão e dono é algo raro.

Mas o que parecia ser lindo tem um desfecho horrível. Eis que recebo as imagens verdadeiras onde o dono está agredindo a cadela que talvez por algum motivo o desobedeceu. Ele o faz ali mesmo na rua sem compaixão sob os olhos das pessoas. Um adestrador de verdade não precisa usar de tamanha crueldade para ensinar truques a um cão. Um adestrador de verdade tem que ter dentro de si uma grande paciência, conhecer seu “aluno”, saber suas limitações, aprender com o aluno também faz parte. Um adestrador de verdade possui uma cumplicidade com seu aluno e um respeito para com o dono do cão.

O verdadeiro adestrador passa a verdadeira confiança a ambos, aluno e proprietário.

E confiança é um ato de fé e este dispensa raciocínio.