Retrospectiva 2014

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Quando se fala em retrospectiva logo vem à mente: Ebola, Copa do Mundo, falta de água, acidentes, morte de pessoas famosas. Mas a minha Retrospectiva 2014 será focada nos fatos curiosos do mundo animal que aconteceu neste ano que está no seu fim.

Sobre os inúmeros vídeos de animais engraçadinhos, cachorrinhos, gatinhos, entre outros, também tivemos inúmeras denuncias de abandono, animais torturados, mortos, espancados, mas esses também não quero lembrar, pois estiveram na mídia por muito tempo.

Vou lembrar de casos que passaram despercebidos por muitos.

Em janeiro, uma nova espécie de golfinho foi descoberta no Amazonas e batizada de Boto Araguaia, pois foi encontrado no rio Araguaia. Essa é a quinta espécie de golfinho de rio descoberta no mundo. Acredita-se que existam mais ou menos mil animais dessa natureza. Mas espera, se ainda não foram descobertos como sabem que existem? Bom, vou dar a ideia de pesquisarem no Tietê, lá sim precisa de vida, rs.

Para você que achava que o animal mais rápido do mundo era a Chita se enganou. Em 2014, foi descoberto que o Paratarsotomus macropalpis é mais rápido. Não sabe quem é? É um ácaro que consegue realizar trezentos e vinte e dois movimentos corporais por cada segundo! A Chita só consegue dezesseis…

“Tá bom Dino, mas isso é um inseto!” – então vou compará-lo com o besouro-tigre australiano que perdeu o posto de animal mais rápido. Afinal, ele só consegue fazer cento e setenta e um movimentos corporais por segundo. Se você não acha grande coisa, eu te pergunto: e você, quantos consegue, hein?

Em maio foi descoberto fósseis de dinossauros de 40 metros! Imagina, isso é ouro para um cãozinho, rs! Outro descobrimento interessante foram de fósseis de répteis voadores no Brasil.

O nome dado à espécie é Caiuajara dobruskii. Caiu mesmo, rs! Eles moravam na região sul do Brasil há 100 milhões de anos aproximadamente. Disseram que tinham um bilhete escrito: “Entro em extinção, mas num moro no Brasil”, rs! Brincadeirinha ; )

Ótimo 2015 para todos!

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Entenda seu gato

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Hoje vou falar um pouco sobre o comportamento dos gatos, mas de maneira generalizada, já que todo animal possui sua particularidade.

Quando o gato ronrona significa que ele esta satisfeito ao máximo. Em alguns gatos você consegue ouvir o ronronado, mas outros apenas conseguimos se sentirmos a respiração. São apenas diferenças físicas e não níveis de satisfação.

Quando o gato se esfrega nas pernas do dono ele está a liberar odores receptíveis apenas para outros gatos, ou seja, ele esta dizendo que você pertence a ele. Isso significa que ele te ama muito.

Quando ele está no seu colo e fica lhe amassando com as patinhas é outra maneira de demonstrar satisfação e amizade, é como se fosse uma massagem.

Quando seu gato dorme demais é sinal que ele tem confiança em relaxar no ambiente em que vive por isso aproveita ao máximo os cochilos. Alguns chegam a dormir cerca de 10 a 12 horas podendo estender até 16/17 horas.

Quando você se aproxima de um gato e este coloca as orelhas baixas para trás ele esta com medo por isso é importante você afastar a origem do medo. É normal quando dois gatos se aproximam esta manifestação possa existir e com o tempo deixe de acontecer.

Quando seu gato urina pela casa ele pode estar marcando território. A urina também é uma das formas dos felinos de marcar território e isso pode acontecer quando a fêmea esta no cio e existem muitos gatos no local.

Gatos também podem ser educados, apesar de serem insistentes, basta um pouco de paciência e persistência. Mas lembre-se, um gato magoado com você pode não aceitar sua presença e fugir de casa.

Fazendo compras de Natal

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Nesta época do ano o aumento da procura por animais para presentear as crianças aumenta muito. O cão lidera o ranking de animais procurados para presente.

Bom, você tem todo direito de presentear alguém com animal de estimação, mas você não tem o direito de tratá-lo como objeto.

Um cão é uma vida, respira, tem fome, tem sede, fica doente, fica velho, morre, e necessita de amor, carinho e atenção como todo animal. Isso é muito importante!

Se você vai presentear seu filho com um ser vivo, lembre-se que é você quem vai cuidar dele. E se no futuro você se desfaz do cão porque ele te deu trabalho, não se assuste se seu filho no futuro o colocar num asilo lhe abandonando porque você também estava dando trabalho, você que o ensinou a se desfazer das vidas que dão trabalho.

Se o “presente” for para um terceiro, tenha certeza que a pessoa a ser presenteada está realmente preparada para tal responsabilidade.

Bom, se depois dessa postagem você ainda estiver decidido a dar um animal de presente vou te dar mais uma ideia: adote um cão ou algum animal de rua, você estará presenteando dois seres vivos!

Com que roupa eu vou?

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A vida de adestrador é uma mistura de trabalho com diversão. O tempo todo me divirto com os cães, mas principalmente com seus donos. Sempre digo que os donos são os mais difíceis de serem adestrados.

A inteligência de um cão é medida pela quantidade de vezes que você tem de repetir o comando. Alguns cães demoram 3 alguns 10 repetições para assimilar o aprendizado. Imagina então os donos que demoram 15 ou 20 tentativas, rs! Afinal, eles nunca, repito, nunca fazem do jeitinho que pedi, só depois de exaustiva repetição.

Certa vez, saindo para uma aula com uma dona e seu cão, um pit bull albino muito pesado e um verdadeiro moleque, seguimos até um local tranquilo para realizar os exercícios que eu ia passar. Ela era uma senhora de uns 50 anos cerca de 40 a 45 kilos não mais que isso, franzina, com uma fala aguda, alta e estridente. Seu sotaque era uma mistura de mineiro com nordestino o que deixava seus “causos” ainda mais engraçados.

Por causa dessa fala aguda e estridente que doía nos ouvidos, algumas palavras, que eu não ouvia fazia um tempo, ficavam muito engraçadas. Como a palavra excomungado, termo carinhoso que usava para se referir ao seu cão, que com sotaque saia “excumungado”, era hilário!

Ela gostava muito de seu pit bull, mas este a arrastava como um graveto pelas ruas de seu bairro. sempre animada, ela estava pronta para ir, vestida com uma saia longa e uma chinelinha de tirinha (rasteirinha), uma vestimenta não muito apropriada para quem vai treinar um cão, ainda mais um pit bull. Mas não sou personal style e sim adestrador e com o tempo ela iria aprender que esse tipo de roupa e calçado não deveria ser usado para passear com um cão daquele porte.

Tentei acertá-los, mas o pit bull havia acostumado a arrastá-la. Era só eu pegar na guia que ele andava direitinho, mas quando era ela que segurava, o cão não estava nem ai, sem contar que a dona não ajudava, posicionando-se de maneira errada, gritando muito com o cão e o deixando agitado, sem contar que ele pisava na rasteirinha e saia atrapalhava, e os dois não entravam em um acordo, rs!

Resolvi apelar para um exercício simples que consistia em andar em círculos com o cão mantendo-o próximo a perna esquerda. Então desenhei um circulo grande no chão e mostrei como se devia fazer. Depois de uns 2 minutos e algumas correções na postura e maneira de segurar na guia, o exercício começou a surtir efeito.

De repente notei que ela não conseguia andar no circulo e pedi para que ela se concentrar e ficar na marcação, ela concordou e continuou. Foi quando ela cambaleou para o lado e “ploft”, estatelou-se no chão. Nessa hora, eu estava um pouco mais afastado sentado na beira da calçada observando o exercício.

A dona caída no chão tentava a todo custo se levantar, mas o pit bull pulou no seu peito e, lambendo sua cara, explodia em alegria e festa impedindo-a de se levantar. A cena era trágica, mas muito, muito engraçada!

Desistindo da cara, o pit bull começou a tentar entrar em baixo daquela saia grande e ela não sabia se segurava a saia, se empurrava o cão ou se levantava. O que se ouvia era: “espera ai excumungado, espera ai trem, nusss!”

Segurei a guia do cão o mais rápido que pude e com a outra mão estendida ajudei a senhora a se levantar. Então, com a voz alta tipico de quem nasceu perto de cachoeira, rs, ela disse: “NOSSA MOÇO EU NUM POSSO ANDAR DE RODA OLHANDO PRA BAIXO, EU TENHO LABIRINTITE!”.

Não aguentei e comecei a rir, descontroladamente, pois eu já estava segurando o riso desde o começo do nosso treinamento e agora me segurava para não urinar nas calças.

Se já não fosse o bastante, ela olhou para baixo e perguntou: “cadê minha sandália?”. Quando damos olhada na boca do pit bull, lá estava a rasteirinha, toda babada e com umas duas tirinhas arrebentadas.

Voltamos para a casa dela, eu com os olhos lacrimejados de tanto rir e ela com um sorriso amarelo, para numa próxima aula, ela sair com uma calça jeans e um tênis adequado e com o remédio de labirintite tomado, rs!

O fujão

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Estava eu numa mercearia aqui no meu bairro quando entra um labrador ofegante e estabanado. O dono da mercearia na hora disse:
– Vixe, fugiu de novo!!!
O cão deu uma volta em torno das prateleiras e saiu novamente para rua.
Em seguida surge 4 pessoas desorientadas correndo atrás dele e gritando:
– Thor, Thor, vem aqui! Vem aqui!
Thor olhava, parava e quando alguém caminhava em sua direção corria mais um pouco.
Clientes que estavam na mercearia se prontificaram a ajudar e enquanto eu pagava minha conta no caixa ficava rindo da situação.
O que era para ser uma ordem de “vem aqui” estava virando uma brincadeira de pega pega. Um cercava daqui outro dali, carros paravam gente ria o dono xingava, rs!
Paguei a conta peguei minha sacolinha e fui pra rua e gritei pra todo mundo:
– Parem, fiquem todos parados! Ninguém fala mais nada!
Em seguida gritei:
– Thor! Thor! – e sai correndo sentido contrário. Thor pensou, analisou e se colocou a me perseguir. Quando este se aproximava eu mudava bruscamente de direção sentido contrário dele e este com mais ênfase tentava me alcançar, até que me abaixei e ele entrou entre meus braços e me lambendo recebia meus afagos e incentivos de bom garoto. Segurei Thor pelo pescoço e este nem tentou fugir deixou que seu dono colocasse a coleira e o levasse para casa salvo dos perigos da rua.

Calendário Bicho Feliz 2015 – Já à venda!

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Antes de sair de viagem adquira nosso calendário!!

Como vocês sabem, participo de um grupo que ajuda animais de rua chamado Bicho Feliz, nosso trabalho é infinito, algo que não para nunca e duvido que isso aconteça um dia. Na verdade, a quandidade de cães abandonados aumenta a cada dia. Sinceramente, às vezes isso nos desanima um pouco. Mas buscamos força divina e entre nós, amigos e simpatizantes da causa, para seguir em frente.

Como foi anunciado numa postagem anterior, já estão disponíveis os calendários para nos ajudar a manter o nosso trabalho. Os colecionadores e amigos que queiram ajudar podem adquiri-los por simbólicos R$5,00. Lembrando que cada animal fotografado está para adoção e o calendário conta um pouco de sua história.

Pontos de venda:

Dino Pet Shop
Rua Francisco Tarsia, 550 – Jd. California

CCAA ( Centro )
Rua Estevão Leão Bourroul, 1900 – Centro

Um pouco de água e um pedaço de pão

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Me lembro de ainda garoto de ter conhecido um cão mestiço, sua mistura era algo anormal.
Baixo, largo, olhos bem claros, orelhas grandes arrastando no chão, lembrando as de um basset hound, sua cor, um vinho escuro.

Ele havia nos visitado a primeira vez através de um cliente que meu pai tinha. Aquele foi levar um motor de picadeira de capim para gado para consertar e o cão o havia seguido. Não lembro seu nome, apenas o tenho na memória, pois eu devia ter meus sete ou oito anos.

Ele era um cão já de meia idade e estava cansado, pois foi seguindo seu dono correndo atrás do carro até chegar na oficina de meu pai que era nos fundos do quintal de minha casa. Ao chegar eu o vi todo cansado, língua para fora, não sabia se respirava, se babava ou engolia a saliva, rs.

Enquanto meu pai conversava com o cliente, fui até a cozinha peguei um pote de margarina de 500g vazio, coloquei água e ofereci. Ele bebeu quase toda a água. Tornei a encher e colocar perto dele que bebeu mais um pouco e foi acalmando sua respiração.

Voltei até a cozinha e sem que minha mãe visse peguei um pão duro, muito duro, pão este que minha mãe iria usar para fazer um doce. Chamei-o num canto para que meu pai não visse, muito menos minha mãe e fui oferecendo ao pobre cão cansado. Enquanto ele comia eu acariciava sua cabeça e conversava com ele. Não me lembro do que falávamos…

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Quando terminei de dar o pão seu dono já estava pronto para partir e entrando no carro, ele se levantou e se colocou a correr atrás até a sua casa.

No outro dia, chegando da escola – naquela epoca vinhamos sozinhos sem que pai e mãe precisasse buscar -, lá estava ele na porta da minha casa. Ele me recebeu com festa, mas estava cansando. C

Cloquei minha pasta dentro de casa e voltei com o pote de água e um pedaço de pão velho que ofereci a ele. Seu bafo cheirava carniça, o que mostrava que ele era um cão acostumado a se virar. Enquanto o acariciava, vi cicatrizes de brigas em seu corpo, talvez por alguma cadelinha no cio ou um pedaço de carniça, quem sabe?

Quando já havia descansado e era hora de ir, ele simplesmente saia, mas olhava para trás uma duas ou três vezes e imprimia um ritimo de caminhada até dobrar a esquina e desaparecer.

Por vários dias ele me visitou seguidamente no mesmo horário, creio que umas 10 a 15 vezes e todas elas eu e ele repetiámos o ritual da água e do pão.

Eu vinha correndo da escola já sabendo que ele estaria ali na entrada de casa me esperando. Até que um dia isso não aconteceu… Ele parou de me visitar.

Tenho certeza que algo muito ruim aconteceu, pois não existe maior fidelidade do que a de um cão, mesmo que essa fidelidade seja recompensada por um pouco de água e um pedaço de pão.