No lugar certo, na hora errada…

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Na última terça eu tinha uma visita agendada, mas por causa de uma tosse que me atormentava, tive que remarcar o compromisso para quinta às 17h30. Geralmente fico na loja até dar o tempo exato para me deslocar até o local marcado, mas desta vez não havia conseguido pagar minhas duplicatas online e tinha ir ao caixa rápido. Esse foi o motivo que me fez sair mais cedo.

Sempre que vou para casa ali pelas 18 horas, passo pela rodovia Cândido Portinari. Vou desde o pontilhão do Bairro São Joaquim até a alça de acesso do bairro Leporace, por onde subo e sigo meu destino até minha casa. Neste trajeto, o trânsito flui mesmo nos horários de pico, mas nesse dia específico iria por dentro da cidade, já que tinha que ir ao banco e depois visitar o cliente.

Por algum motivo me distraí e acabei pegando o caminho de costume, ou seja, fui para a rodovia. Bravo com o erro me coloquei a resmungar, mas me acalmei e resolvi que podia subir pela alça de acesso à Vila São Sebastião. Pouco depois tornei a me distrair e errei novamente a entrada, dirigindo-me até a alça de acesso a bairro Jd. Guanabara. Estava com ódio da minha distração, que atrasaria meu compromisso, e ainda tinha que pagar as duplicatas, então mantive a direção, ignorando a entrada e indo direto para o bairro Vicente Leporace.

Logo depois que passei debaixo do pontilhão do Jd. Guanabara, bem de longe vejo, no meio da pista, em cima da faixa que a divide, dois olhos assustados. Por um momento não acreditei, mas era real: um cão atropelado, deitado, olhando os carros que vinham em alta velocidade ao seu encontro. Muitos desviavam, mas pela quantidade de veículos naquele horário, seria uma questão de minutos ou quem sabe segundos até que ele fosse atropelado novamente. Seus olhos não saiam dos carros que vinham ao seu encontro.

Joguei o carro no acostamento, abri a porta e saí correndo. Parecia que eu não tinha pernas pra chegar até ele, parecia que o mundo estava em câmera lenta. De longe avistei um rapaz do outro lado da pista que também tentava ajudar. Um ônibus quase atrapalha nosso esforço, mas consegue desviar do cão e logo um carro diminui a velocidade e outro bate na sua traseira. Esse momento é difícil, pois qualquer movimento errado pode afugentar o cão e o fazer com que ele entre bem debaixo de um carro. O melhor era fazê-lo esperar para que chegássemos até ele.

Naquele momento de trégua causada pela batida o cão se levantou e foi mancando até a mureta de proteção junto ao rapaz. Do outro lado eu fazia sinal para que os carros diminuíssem. O rapaz tinha receios de pegar o cão, pois ele poderia mordê-lo, mas logo quando ele se aproximou era como se pedisse ajuda: se colocou de costas para que o rapaz o pegasse no colo e o trouxesse para o outro lado em segurança. O pobre cão estava tremendo, assutado e em estado de choque. Peguei-o no colo e ele gemia de dor. Levei-o para o veterinário que o medicou e o colocou em observação. Ao que tudo indica, ele recebeu uma forte pancada no quadril e passará por mais exames pra saber se realmente está tudo bem.

Parece que quando gostamos de ajudar animais sempre estamos no lugar errado deles, mas na hora certa nossa!!

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