Metendo o Dedo na Ferida

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Fazia tempo que queria escrever sobre o assunto mas não sabia como começar pois são muitas opiniões diferentes, respeito todas e luto para que eu seja diferente, para então sim, abominar práticas de qualquer cultura.

Se do dia para noite resolvêssemos parar de comer carne, só no Brasil pouparíamos a vida de 43 milhões de bois e 40 milhões de porcos e 4,5 bilhões de frangos. Mas como o Brasil é o maior exportador de carne de boi e frango do mundo também estaríamos falidos.

O fator alimentação ou seja o que colocamos no prato tem haver com fatores econômicos, ambientais, culturais, fisiológicos, filosóficos, históricos, religiosos. Imagine como os indianos veem nossa atitude de comermos carne bovina? Um indiano vê você com os mesmos olhos que você vê um chinês comendo carne de cachorro. Como eu disse é uma questão econômica, filosófica, fisiológica, histórica e blá blá blá…

A carne de cachorro é bastante comum na ásia oriental, na China, Coreias, Vietnã e em alguns países da África como a Nigéria. O consumo de carne de cachorro resulta da tradição cultural, escassez e racionamento de outros tipo de carne, crenças de benefícios atribuídos a algumas partes do cão.

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Nas Filipinas, por exemplo, os cães são criados em áreas rurais especificamente para consumo humano. Mas garanto que você vê isso como uma crueldade. O nosso argumento é que cachorros são inerentemente emocionais e amigáveis à humanidade. Vejo muitas pessoas criticarem tal prática, mas se sentarem na frente de um lindo e suculento bife de vaca e saborear sem peso na consciência.

Eu acho muito cruel uma pessoa comer a carne de um cão, mas ao mesmo tempo eu como carne de vaca, então posso dizer que sou um hipócrita, que critico o consumidor de carne canina, mas contribuo com o abate de 43 milhões de bois no Brasil. Sou um viciado em carne bovina. Admiro os que conseguem ficar sem carne e luto para tirar essa iguaria de minha mesa.

Vou lhes contar uma historia que aconteceu comigo e meu filho Fellipe, na época com 4 aninhos, para lhes mostrar o que penso sobre o assunto. Eu tinha dois peixes Betas, aqueles que vivem sozinho no aquário, chamados peixes de briga. Treinei um deles a tocar objetos para ganhar comida (conforme vídeo abaixo).

Tudo que eu mostrava para ele fora o aquário ele pulava para tocava o objeto e ganhava comida. Meu filho Fellipe adorava se interagir com aquele peixe beta que ganhou o nome de Badão.

Todo dia Fellipe brincava com Badão por alguns minutos enquanto dava comida a ele. Enquanto isso no outro aquário ficava o outro peixe beta, sem nome, às vezes parado, outras vezes nadando de um pado por outro. Na visão de meu filho um peixe qualquer.

Certo dia o peixe beta que não interagia morreu devido a um fungo. Fellipe o jogou no vaso sanitário e apertou a descarga, ficando apenas Badão que na visão de meu filho brincava de tocar objetos. Sem outro peixe para ficar no balcão de mármore com Badão, Fellipe ficou preocupado. Numa certa manhã acordei e encontrei o aquário todo verde e Badão boiando sem vida.

Verificando, vi que havia um dinossauro verde de plástico dentro do aquário e este havia soltado a tinta, a causa da morte de Badão. Perguntei ao Fellipe quem havia colocado aquele brinquedo dentro do aquário e este me disse que fora ele, pois Badão havia ficado sozinho durante a noite e o dinossauro de brinquedo iria lhe fazer companhia até o dia seguinte.

O destino de Badão foi diferente do outro peixe. Badão teve um velório e um sepultamento. Seu caixão foi improvisado com uma caixa de fósforos e enterrado com flores sobre seu túmulo.

Minha conclusão é que se você criar um laço de amizade com qualquer animal ou espécie, não terá coragem de comê-lo ou ser indiferente a sua morte, seria como um “canibalismo” ou traição entre amigos.

Espero que um dia eu consiga me tornar um vegetariano e assim poder sem culpa criticar quem consome não só carne canina, mas a todos que consomem qualquer tipo de carne.

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3 pensamentos sobre “Metendo o Dedo na Ferida

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