Cadelinha “amável”

cadela

“Oi Dino, sempre acompanho seu blog e acho muito legal sua disponibilidade em atender a todos. Tenho uma cadela de um ano, a Frida. Estivemos com ela direto dos dois aos cinco meses. Neste primeiro período, já percebemos que ela era muito ativa, pulava muito e eventualmente rosnava quando nos aproximávamos do prato de comida. Fora isso, era uma cadela dócil e bem humorada.

Aos cinco meses tivemos que deixá-la junto com o nosso casal de teckel numa casa com outra pessoa, por ficamos fora do Brasil. A pegamos de volta quando ela tinha 8 meses. Na outra casa ela já tinha mordido a fêmea teckel, mas sem gravidade. Depois que voltamos para casa ela atacou a fêmea 3 vezes, e as 2 últimas com gravidade. Agora temos que separá-las constantemente.

A Frida também revelou não gostar de crianças. Apesar de não termos criança em casa, sempre quando aparece alguma visita, ela fica aparentemente irritada e arrepiada com a presença delas. Ela ainda tem rosnado mais quando nos aproximamos da comida e andado mais agitada.

Mesmo assim é muito mansa e tranquila, nunca avançou em ninguém, gosta das pessoas adultas. Às vezes, a impressão que tenho que ela passa por um momento de nos testar e querer se impor. E acho que não estamos sabendo como controlar isso e contornar a situação.

Ela é inteligente, sabe sentar, dar a pata, espera quando a gente vai dar a comida e não avança no prato. Mas infelizmente estamos perdendo a confiança nela. Queria um conselho de quem é especialista. Enfim, adoramos a cachorra e não queremos nos desfazer dela”.

Se seu cão demonstra sinais de dominância bem cedo e vocês já deveriam ter dado atenção a estes sinais. Não é o fato dela sentar e dar a patinha que a torna um cão de temperamento tranquilo. Um cão hiperativo estressado pode causar sérios danos a família.

O fato dela ter passado por dois lares faz com que ela seja líder, pois não teve tempo de criar esta hierarquia por onde ela passou. Ao se adquirir um cão devemos analisar se estamos realmente prontos para isso. Devemos calcular no minimo 10 anos a frente para saber se vamos ter condições te continuar com o cão.

Conviver com o cão e participar de sua educação é muito importante para a formação de seu caráter. Muitas pessoas pensam que só devem se preocupar com a educação do filhote na fase do adestramento, ou seja, quando todas as vacinas foram dadas e ele está pronto para sair à rua e ser adestrado e é ai que está o grande problema.

Muitos pensam que um cão adestrado vem com um controle remoto pronto para clicar e obter resultados. É certo que um cão bem adestrado tem facilidade de atender comandos, mas somente cães que recebem comandos de várias pessoas obedecem outras pessoas.

Portanto, se o proprietário do cão não participa das aulas, ou melhor, não faz o dever de casa, ele sempre terá dificuldade em conseguir resultado com seu cão. O melhor é começar cedo, assim que o filhote chega a sua nova casa, ele deve aprender a seguir normas. Um cão nasceu para viver em matilha e quando o tiramos de sua matilha, automaticamente, ele irá fazer da família humana sua matilha.

Numa matilha existe a hierarquia, ou seja, toda matilha tem um líder, alguém que decide quais os tipos de brincadeiras podem ser feitas, quando a brincadeira deve parar, hora de se alimentar e outras regras básicas.

Então você deve escrever em um papel suas regras básicas e mostrar para toda matilha. Isso mesmo todos da família devem estar cientes das regras para que o cão não aprenda que, com um pode com outro não pode. Quase todas as consultas de comportamento que dou 70% do mau comportamento do cão adulto ou filhote foram ocasionadas pelos donos.

Crianças são os principais causadores de mau comportamento em filhotes seguido de mulheres que deixam seus “bebezinhos” bastante a vontade na casa e acabam criando um “monstro” e por último alguns maridos que são indiferentes às atitudes do filhote, mas quando a esposa solicita alguma atitude, tentam impor sua liderança através da força, fazendo com que os filhotes cresçam com medo e não respeito a sua presença.

Muitas, mas muitas pessoas que conversei ou adestrei seu cão não estavam preparadas para ter um.

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