Vivência

cão vivencia

Vivenciei uma época em que ninguém dava bola pra raça.
Vivenciei uma época em que se dava angu cozido com carne para o cão da casa.
Vivenciei uma época em que o chamado rabo do tatu ficava pendurando próximo a porta da sala e este servia para bater nos cães da casa que tentavam entrar.
Vivenciei uma época em que se esfregava o focinho do cão na urina para ele aprender que ali não era o lugar certo
Vivenciei uma época em que a unica vacina do cão era a de raiva.
Vivenciei uma época em que se dava banho de mangueira com sabão de cinzas no cão e o deixava secar no sol.
Vivenciei uma época em que quebrava ovo quente na boca do cão que roubava o galinheiro.
Vivenciei uma época em que todo mundo chamava o cão da casa de “tio”
Vivenciei uma época em que se prendia o cão durante o dia e soltava anoite para ficar bravo.
Vivenciei uma uma época em quase ninguém sabia o que era crueldade.
Vivenciei uma em que se enterrava o cão no fundo do quintal.
Vivenciei uma época em que se matava pra se ter um controle populacional de cães.
Vivenciei uma época em que as coisas começaram a mudar.
Vivencio uma época em que muitas pessoas estão mudando graças a estes seres especiais.
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Fred e eu, do outro lado do muro

fred

Depois de pular o muro fugindo de Fred, aquele dinossauro quadrúpede e já me sentindo mais seguro coloquei a mente pra funcionar, como eu iria fazer Fred me aceitar novamente, como faria ele deixar que eu o levasse pra passear?

Enquanto eu pensava do lado de fora Fred bufava pela fresta de baixo do portão, cada baforada levantava uma nuvem de fumaça seguida de um único latido confiante e firme.

Recapitulando tudo desde meu primeiro contato com Fred cheguei a conclusão que Fred no primeiro dia que me viu não me avançou porque ainda não tinha seu território demarcado, aquele quintal ainda não pertencia a ele. Três dias era muito pouco tempo para se determinar um território.

Então pedi seu novo dono que colocasse a guia em Fred e o trouxesse para fora, mais precisamente uns 50 metros longe da casa e assim ele o fez. Colocou a Fred na guia e o trouxe até mim ou melhor Fred trouxe seu novo dono até onde eu estava, pois da maneira como Fred arrastava, dava pra ver quem estava decidindo onde ir. Fred se aproximou de mim me cheirou novamente mostrei o dorso da mão ele lambeu e pronto estava eu em acordo de trégua com aquele dinossauro.

Levei Fred pra fazer uma caminhada longa e repetindo a palavra PASSEAR várias vezes durante a caminhada, até que se cansasse bastante e não tivesse vontade sequer de olhar para mim quando chegasse em casa. E assim fomos e ao regressarmos entrei com Fred, fechei o portão soltei da guia e ele saiu direto para vasilha de água.

Depois de beber bastante, ele se deitou a sombra da varanda, mal conseguindo manter aquela “cabeçona” de pé. Me aproximei tirei do bolso um petisco ofereci, mas a estafa era tanta que nem deu bola. Fui embora mais determinado a voltar no outro dia, pois não queria dar tempo para Fred esquecer o momento feliz que teve.

No outro dia ao chegar na casa Fred escutou o barulho do meu carro, se aproximou do portão, deu um baita latido mesmo assim resolvi entrar, ele ficou parado me olhando tirei a guia e mostrando a ele disse: vamos passear?!
Então Fred se contorceu e não abanando apenas o rabo, mas o corpo todo, deixando de ser aquele dinossauro chucro, parecendo simplesmente um filhotinho de poodle.

Depois disso, fiz o adestramento de Fred tranquilamente e ele se tornou um cão sociável e educado, respeitando o território dos outros, mas protegendo o seu.

Por um fio

cão maior

Fui chamado por um cliente para verificar a possibilidade dele adotar e eu ensinar um dogue alemão de 3 anos a andar sem arrastar.

Chegando ao local encontrei Fred, que realmente era um cão monstruoso, enorme, vistoso, de causar medo.

Seu novo dono me disse que o adotou pelo fato do dono anterior não tinha espaço nem tempo para caminhadas e que ele sim tinha tais isso em sua vida, mas antes precisaria que Fred parasse de arrastar.

Me aproximei dele e como não notei sinais de perigo, coloquei o dorso da minha mão em frente ao seu nariz recebi uma lambida na mão e retribui com um carinho na sua cabeça. Disse, que poderiamos agendar algumas aulas e na próxima semana iniciaria.

Passado 7 dias retornei dessa vez para ensinar Fred a andar sem arrastar. Fred dessa vez estava preso num cercado com grades baixas na altura do seu peito. Como transitava muita gente no local, seu dono tinha medo que Fred saísse pelo portão e causasse algum acidente, já que muita gente tinha medo do cão (mas pelo seu tamanho do que pelo seu comportamento).

Ao me aproximar notei que apostura de Fred não era a mesma da primeira vez, conversei com um pouco e iniciei uma conversa com seu dono enquanto acariciava sua cabeça. Fred continuava indiferente sem abanar a cauda, boca fechada e foi quando notei os lábios superiores se movimentaram milimetros, era um sinal que Fred não estava curtindo minha presença no local. Tirei a mão e continuei olhando para seu dono, mas dessa vez eu disse:
– Segura ele, pois ele vai pular para me pegar.

Seu dono ficou surpreso, pois não conseguira ver nada que levasse ao possível ataque. Continuei repetindo:
– Segura ele, pois ele vai me atacar – e me afastei “tranquilamente”, tentando controlar minha ansiedade, não respirando forte para que Fred não sentisse o cheiro da minha adrenalina. Seu dono continuava surpreso e dizendo que não ia.

Quando eu ja estava uns 3 passos de distância, Fred colocou as patas dianteiras sobre a grade que o cercava, seu dono foi tentar contê-lo pela coleira e tomou uma mordida na mão e logo o soltou. Fred com seus 70 ou 80 kilos pulou a pequena grade e eu disparei correndo em direção ao portão, vendo que o portão estava fechado me joguei no muro, num lance só e quando eu já atravessava para o outro lado senti o bafo de Fred nas minhas pernas… Escapei por um fio!

Fred como todo Dogue Alemão havia criado seu território, não aceitava a presença de estranhos e isso é bem característico da raça. Por sorte consegui ver os sinais do possível ataque a tempo, coisas que só um profissional com tempo, observando e estudando o comportamento dos cães, consegue. Quando estudamos conseguimos notar estes sinais mesmo que milimétricos e isso nos ajuda a sair de algumas situações perigosas.

Continua…

Como é Amar um Cão?

cao amor

Cães estão mais conectados com o mundo espiritual do que nós humanos, podem ter certeza disso. Ao contrário dos humanos, eles não perdem sua conexão com Deus, por isso, muitas vezes são chamados de anjos, pois de uma maneira simples, mas de maneira profunda nos ajuda a entender a vida.

Quantos cães em estado terminal você viu lamentar ou reclamar de dor? Cães, mesmo desprovidos de juventude, tentam nos passar felicidade e a mensagem de estarem ainda ali, ligados a nossa alma. Muitos mesmo sem conseguir se movimentar totalmente ainda insistem num abanar de cauda ou simplesmente nos seguem com os olhos. Eles já nascem sabendo fazer isso.

Lembro-me de Brisa, filha de Kaoma a qual relato sua breve passagem por este mundo, no meu livro “Um Anjo Chamado Kaoma”. Brisa quando nasceu foi rejeitada por Kaoma que insistia pelo instinto não criá-la por isso se recusava a amamentá-la e muitas vezes rosnava para ela. Eu na minha insistência obrigava Kaoma a amamentar obrigando a se deitar e permanecer com a filhote ali até que esta se saciasse.

Brisa depois de algum tempo apresentou uma insuficiência renal e teve que ser internada as pressas e na minha última visita, a encontrei deitava numa mesa sob uma almofada, amarrada com soro ligado em sua pequena veia, as únicas coisas que se mexiam eram seu rabinho, sua cabecinha que se levantava um pouco e seus olhos.

Ao entrar Brisa me reconheceu pela voz, batia o rabinho na mesa, me aproximei já sabendo da noticia que ela poderia não sobreviver, pois os rins haviam parado. Aproximei meu rosto daquele focinho gelado e no meu ouvido deixei Brisa respirar. Conversei com ela por alguns minutos agradecendo pela alegria que ela trouxe a minha casa e elogiando sua força para continuar viva.

Ao me retirar, pude ver seus pequenos olhos me acompanhando, e caminhando pelo corredor da clinica eu escutava seu rabinho batendo na almofada e o som ficando cada vez mais longe. Poucas horas depois recebi a noticia que Brisa havia morrido. Tão pequena, tão frágil, tão nova, tão guerreira sem nenhum ganido sem reclamar

Brisa aceitara seu destino. Até hoje quando estou adestrando e um vento leve me acaricia a orelha, lembro-me de Brisa um pequeno anjo que passou por aqui e em pouco tempo deixou muita lição para se aprender. Eu poderia explicar como é amar um cão, mas não iria adiantar se você não tiver um. Agora, quem tem, não precisa de explicação.

Latindo para outros cães

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Numa matilha de lobos, cada membro tem um posição hierárquica. Quando se aproximam uns dos outros enviam sinais de sua posição na família humana e o modo como gostariam de ser tratados pelos outros cães.

Alguns cães fazem mais questão de enviar estes sinais. Muitas vezes mesmo quando o cão quer interagir ou brincar com outros cães este sente a necessidade de proteger a matilha e manter os intrusos afastados.

Latir, querer partir pra cima, são maneiras de mostrar ao proprietário que ele está no comando. O correto seria o dono ser este líder e impedir desde cedo as manifestações de anti socialidade. Corrigindo o filhote desde os primeiros sinais.

Levando-o para se interagir com outros cães sociais é a melhor maneira de ter um filhote alegre, feliz e que não apronte escândalos durante os passeios ao ver outro cão. Um cão adulto que faz escândalo durante as caminhadas requer uma firmeza e correção do proprietário, desviando a atenção deste cão e intervindo de maneira que ele entenda que você não aprova tal atitude.

Uma boa maneira de inciar é levando o cão a locais que tenha poucos cães, mantendo uma distância aceitável por ele e ir se aproximando a medida que o estresse abaixe e o cão pare de latir.

Esta fase passa?

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Ouço essa pergunta sempre que alguém tem um filhote destruidores e bagunceiro. A boa noticia é que sim, a fase passa, pois filhotes crescem e amadurecem. Cada um vai criando sua personalidade, mas essa fase de moldagem de personalidade requer muita participação do dono.

Nessa fase de bagunças é importante que o dono corrija comportamentos indesejados para que não se torne uma mania permanente. Pois o cão pode encontrar no comportamento indesejado uma maneira de suprir o tédio – e – ou uma maneira de suprir a ausência do dono quando este esta trabalhando.

Alguns cães encontram nas bagunças do dia a dia uma maneira de chamar a atenção do dono tornando algumas bagunças uma forma de fazer o dono interagir, tipo pegar o tapete e sair correndo ou fugir pelo portão enquanto toda família corre atrás dele.

Por isso corrija o mais cedo possível as brincadeiras erradas e incentive as corretas.

Esta noite fiquei pensando…

alemao

Eu precisava deixar registrado aqui no Blog de alguma maneira o momento histórico do dia 8 de julho de 2014 o dia que a seleção brasileira perdeu de 7 a 1 para Alemanha. Mas o que isso tem haver com animais??? Não encontrei nenhuma relação entre torcer no futebol e cães, rs. Mas então me levantei e o dia começou a conspirar me fazendo recordar do humilhação sofrida.

Ao sair no meu quintal deparo com minha Rottweiler raça Alemã olhando pra mim parecendo saber o que aconteceu. Ela estava ali parada com a boca aberta parecendo rir. Então saindo do quarto de meus filhos vem Luna, minha Spitz Alemão, toda serelepe parecendo curtir a ressaca da vitória alemã. Mas tudo isso não passa do estado meu de espirito, onde enxergo no rosto do cão o que mentalizo.

Sabe quando a pessoa olha para um cão de porte grande e diz: “ele está me olhando com uma cara ruim”. É apenas o medo da pessoa refletindo no comportamento do cão. Quero dizer que o que você está sentindo no momento pode interferir no comportamento do seu cão. Sua tristeza, sua alegria, seu medo. Por isso sem neuras, seu Pastor Alemão não esta tirando sarro de você, está apenas respondendo ao seu estado de espirito.

Leider Nichts (desculpe qualquer coisa) kkk.