Bom dia!

cao pao

Imagine a cena a seguir:

Você acorda “molengão”, passa manteiga no pão, o pão cai da sua mão, o cachorro abocanha e sai correndo. Numa explosão de agilidade, joga a cadeira pra trás e sai “catando cavaco” atrás do animal que fica dando voltas em torno da mesa. Então, se joga em baixo da mesa pra cortar caminho, ele sai correndo pra fora da cozinha e você atrás, sob os olhos assustados da esposa. Por fim, depois da “canseira” você consegue cerca-lo, coloca as duas mãos na boca dele, tira o pão, enquanto ele abana o rabo olhando pra sua cara de cansado. “Pra que fui pegar isso?”, se pergunta. Olha novamente pro cachorro e devolve.

O cachorrinho pega o pão tranquilamente, e enquanto come, olha pra sua cara pensando no quão besta você é. Pra que fazer tudo isto se no final o pão ia ser dele? Ou você iria comer o pão todo babado?

É pra pensar…

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Testando 1,2,3

Yorkshire Terrier

Yorkshire Terrier

Estava conversando com um amigo e disse que cães sem raça definida sofriam discriminação por não terem uma denominada ou um nome lindo do tipo York Shire Terrier ou West highland, white terrier ou Matês ou até mesmo Fox. Na verdade somente o fato da sociedade ter batizado os cães de rua de vira latas já os rebaixaram. Quem sabe se mudassem o nome de SRD ou vira latas para Andarilho Brasileiro ou Pelo Curto Brasileiro, ou Pelo Longo Brasileiro o destino deles seriam outro.

Ele discordou de mim dizendo que não que por ser um cão, a aceitação seria a mesma. Então fizemos uma aposta de R$ 100, que daria para castrar pelo menos dois cães pequenos de rua, e ainda ficar com mais uns R$ 20. Lancei o teste no meu Facebook e criei um anúncio de um SRD, o famoso vira Lata, sociável, brincalhão, que aceita crianças, sempre educado e que convive com outros cães. E 20 minutos depois lancei o perfil de um York Shire Terrie com pedigree, castrado, antissocial, não aceita crianças, nem outros cães para adoção.

Vira-lata

Vira-lata

Adivinhem quem encontrou o maior numero de adotantes? Pois é! Com o Yorkshire foram 15 ligações em 30 minutos de exposição na minha pagina, seis pretendentes no Facebook e 11 compartilhamentos. Quando a pessoa falava comigo no telefone eu dizia que esqueci de mencionar, mas que o York Shire comia as próprias fezes (coprofagia) e eu ainda pichava o temperamento dele falando mal do York exagerando na agressividade dele. Mesmo assim todos quiseram, menos um que ficou de analisar. O vira lata teve nove compartilhamentos, nenhuma ligação e quando oferecido para pessoa interessada no York ficavam de ver e me ligar.

Não tenho nada contra as pessoas que preferiram o cão de raça. Eu por exemplo, tenho três. O que eu queria mostrar é que temos um longo trabalho pela frente para mudar a cabeça das pessoas, mostrar que nome de raças é denominado por humanos, pois o York e do SRD compartilham do mesmo DNA.

Fica aqui a dica que a felicidade de se ter um cão não está no pedigree nem no lindo nome de raça que ele carrega, e sim no olhar, na alegria, na felicidade de te receber de poder ter o amor incondicional dele.

Desculpe aos amigos se ficaram ofendidos. Repito! Não recrimino vocês por quererem um cão de raça, pois somos criados numa sociedade que cria rótulos. Até mesmo em nós humanos.

Paciência e persistência

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Telefone toca:

“Dino aqui é o (…). Eu tenho um cachorro e queria adestrá-lo”, fala a voz.
“O que você espera do adestramento?”, pergunto.
“Hum… O básico”, responde.
“O que seria este ‘básico’ para você?”, volto a perguntar.
“Então, queria que ele ficasse quietinho, tipo que mandasse deitar e ele ficasse ali até eu mandar sair”.

Isso é o que mais ouço quando a pessoa me liga querendo contratar serviço de adestramento. Quem tem um cão tem que estar sujeito às bagunças, pois são filhotes, estão conhecendo o mundo e ainda não conhecem a linguagem dos donos, ou seja, a linguagem da nova família.

cachorro-de-pelucia-que-respiramO que acontece é que nem todo mundo tem paciência para ter um cão e querem que cães de 60, 120 dias haja como cães de 5, 6 anos, sendo que alguns são eternos filhotes.

Tenha paciência, eduque e se preciso for, repeti. A paciência e a persistência são a chave do aprendizado para um cão. No mais, se não tiver a paciência, compre um cachorro de pelúcia, coloque-o num cantinho, dê o comando FICA e vai ver o quanto ele é obediente.

Cães machos são mais agressivos que as fêmeas?

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O fator genético no que diz respeito à agressividade pesa muito no caráter do cão. Filhotes cujos pais são agressivos – descontrolados – têm mais chances de serem agressivos. Já a dominância pode ser adquirida na maneira com que o proprietário cria o cão.

Vejamos: o cão é da família dos caninos, que incluem lobos, raposas e coiotes. Eles vivem em matilha e toda matilha possui um líder que conquista este posto através da força ou por ser o mais esperto.

O cão da família também necessita de um líder e se o proprietário não impuser a liderança, o cão irá assumir o posto de líder. Fêmeas tendem a ser mais submissas, mas se você não for um líder, ela sentirá falta e irá assumir o posto vago.

Alguns machos disputam este posto mais vezes, sempre testando a liderança do dono. Se este fraquejar, “pumba”, perdeu. Mas há muitos casos de pessoas possuírem um casal e a fêmea ser a líder, pois nem o macho nem o dono tiveram capacidade de assumir a liderança.

Aqui em casa meus cães sabem quem manda.

1ª – minha esposa
2º – eu
3º – meus filhos Fellipe e Julio
4ª – eles (os cães)… haha.

Abraços!

O cão perfeito

Uggie, o cão do filme O Artista, com o Globo de Ouro

Uggie, o cão do filme O Artista, com o Globo de Ouro

Aos amigos que sempre perguntam se seu cão está no padrão perfeito, manchas, focinho, altura, peso, eu deixo aqui o que penso:

A perfeição é uma utopia. Se existisse a humanidade não evoluiria: algo que fosse feito perfeitamente de uma vez, não mudaria, e apenas repetiríamos o mesmo processo vezes sem fim. Mesmo os grandes artistas, que fazem obras que consideramos perfeitas, dizem sempre a mesma coisa: que a obra está acabada, mas não perfeita. Porque eles sabem desse segredo vital para quem quer realizar grandes obras: a perfeição não existe porque estamos em constante processo de mudança e aperfeiçoamento. Acreditar nela apenas prejudica o seu trabalho, sua vida e até mesmo o que você ama.

O cão com estética perfeita nunca será alcançada. Um campeão não fica no topo por muito tempo, o que os experts fazem é definir um padrão a ser seguido. Mas quem diz que não podemos criar o nosso padrão de cão perfeito? Que tal o seguinte padrão: calmo, carinhoso, forte, saudável e que nos ame incondicionalmente? Acho que este é um padrão ideal.

Até porque todas as raças vêm sofrendo mutações ao longo dos anos. Basta olharmos as fotos de antigos campeões caninos. Nelas, notaremos diferença para os de hoje e daqui 50 anos notaremos outras. Isso tudo em nome da perfeição. Cão perfeito é o que você tem. Seu cão adulto talvez não serviria para mim ou para outro, pois foi moldado por você e para você.

Portanto, ame seu cão, preocupe-se apenas com a saúde e com a agressividade e verá que este é o animal perfeito, no padrão ideal pra você e toda sua família. Mas se quiser competir, adquira outro mais próximo do padrão exigido pelo Kennel Clube.

O primeiro cão a gente nunca esquece

A cadela Laika, o 1º ser vivo enviado ao espaço

A cadela Laika, o 1º ser vivo enviado ao espaço

Lembro-me do nome da primeira cadelinha que eu e meus irmãos tivemos: Laika. Meu pai a trouxe para casa e dizia que ela era uma legitima pequinês. Depois que me tornei um cinólogo, vi que Laika era, na verdade, uma legitima vira lata, peludinha, que nem se quer de perto lembrava um pequinês.  A não ser por seus dentinhos tortos, onde os dentes de baixo faziam par torto com os de cima.

Laika, nome dado por meu pai (em russo Лайка, 1954 — 1957), foi uma cadela russa que se tornou conhecida por ser o primeiro ser vivo terrestre a orbitar o planeta Terra.

Um dia, eu e meus irmãos acordamos e, simplesmente Laika não estava. Meu pai disse que a havia doado para outra família. Laika quebrou parte das regras que uma família quer de um cão. Por exemplo, ela não fazia xixi e coco no lugar certo, e não aprendia de jeito nenhum. Hoje como adestrador pude ver que a culpa era nossa, crianças pequenas, que não dávamos tempo a ela.  Queríamos sua atenção o tempo todo, bajulando-a e pegando-a no colo. Quando a soltávamos, Laika não tinha tempo de ir ao local certo e fazia ali mesmo suas necessidades. Por várias vezes, ela chegou a fazê-las no colo de algum de nós.

Fico pensando até hoje para onde foi Laika? Que família a acolheu? Na verdade, prefiro pensar que minha Laika também tenha se tornado uma astronauta e tenha viajado pelo espaço, encontrando um planeta só de cães e que, neste momento, esteja planejando uma invasão a Terra. Simples assim!

Quem sabe…