Uma difícil decisão

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O telefone toca!

Uma voz engasgada do outro lado.

– É o Dino?!
– Sim, sou eu.
– Precisava que você levasse meu cão ao veterinário.

Não faço transporte de animais, mas algo me dizia que tinha que ser eu. E fui.

Chegando ao local uma senhora me atendeu e pediu para esperar que ela iria trazer seu cão.
Trazendo pela guia bem lentamente um setter irlandês de 15 anos, andando muito devagar o pelo todo raspado, cheio de feridas, e em baixo da barriga, vários tumores abertos, onde as moscas não o deixavam em paz.

Aparentemente cansado, sua dona me entrega a guia, seus olhos cheios de lagrimas não conseguiam encarar mais aquela situação. Ao voltar seu olhar pra mim ela pergunta:

– Você é o Dino adestrador?
-Sim. Sou eu mesmo.
– Foi você que adestrou ele há uns 14 anos.

Então,toda cena na cabeça onde eu adestrava um filhote de setter, o qual não poderia esquecer, pois em vários anos havia sido apenas dois adestrados por mim.

Me abaixei e segurando o rosto daquele velho cão cansado, comecei marejar meus olhos de tristeza, lembrando bons momentos entre eu e ele. Levantei, segurei a guia e disse “JUNTO” batendo na perna e andando e ele prontamente ficou ao meu lado. Dei o comando “ALTO” em seguida “SENTA” e “DEITA” e ele relembrando todo exercício o fez como um bom e fiel amigo.

Sua dona chorava de emoção misturado a tristeza da condição de saúde dele. Mandei o “FICA” e ele também obedeceu, parado alguns segundos até que eu o chamasse para perto de mim.

O coloquei no carro e sua dono disse:

– É só deixa-lo no veterinário. Já deixei tudo certo!!!

Fiquei com medo de perguntar o que ele iria fazer, mas meu coração já sabia que não seria boa coisa, pois toda situação conspirava para algo ruim.

No veterinário, tive a confirmação: seria uma eutanásia. Ele estava com o câncer tomando conta de órgãos vitais e aquelas feridas não cicatrizavam mais. Me restou pedir a veterinária que se eu pudesse, gostaria de ficar ali segurando a pata daquele cão no momento tão difícil. Assim foi feito.

Meu amigo morreu de maneira tranquila, sem sofrimento, na certeza que seu dever estava cumprido aqui neste mundo.

Dia difícil. Muito difícil.

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Quando é hora de optar pela eutanásia?

Decidir pelo fim da vida de seu animal de estimação requer sangue frio, mas colocar fim ao sofrimento de seu cão também é um ato de amor.

Decidir pela eutanásia de um animal de estimação não é uma tarefa fácil. O processo exige dos donos muita compreensão sobre o momento que o bicho está passando, e muita sensibilidade por parte dos médicos veterinários para explicar quando o sofrimento do animal torna-se maior do que a vontade de que ele continue vivo.

Meu objetivo não é debater se a eutanásia é algo certo ou errado, se é algo aprovado por Deus ou não. Deixo aqui minha vivencia de alguém que os ama, recolhe animais de rua e tenta dar a eles uma segunda chance.

Sei que é complicado para um dono optar por sacrificar seu cão. Nós acompanhamos seu desenvolvimento, o vimos quando ainda era apenas uma bolinha de pelo e decidimos por sua vida ao nosso lado, então decidir por sua partida nos torna culpados e sempre fica aquele
pensamento: “será que fiz a coisa certa?”

A eutanásia deve ser realizada apenas em situações em que o animal não tem mais qualidade de vida: quando não come mais e não demonstra vitalidade. A primeira pergunta que os donos fazem é se ele vai sofrer. E a resposta é não, na eutanásia ele não sente nada.

Se você tentou de tudo, e ainda sim seu cão está com dores, criando escaras de ficar deitado e mesmo o virando, as feridas continuam aumentando,tenha certeza que está fazendo a coisa certa.

Deixar um animal sofrer, no meu ponto de vista, é mais desumano que interromper este sofrimento. Por isso ao ter que tomar esta decisão coloque num papel todos os pontos positivos de mantê-lo vivo por quem sabe alguns dias e os negativos.

Tenha certeza que seu coração irá falar mais alto te ajudando a tomar a decisão correta.

Boa sorte!

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5 pensamentos sobre “Uma difícil decisão

  1. Gostei muito dessa materia falando sobre eutanasia. Sempre tive muito medo de ter que tomar essa desição com o Dingo pois ele já estava muito velho e muito dependente de mim graças a Deus não precisei eutanasiar ele morreu naturalmente… Mais lendo essa materia pude entender que quando o animal está definhando fazer eutanasia também é um ato de amor… Obrigada

  2. Pô, Dino, fazer um homem chorar, num dia ensolarado desses é muito cruel. Muito lindo. E gostaria demais que vc adestrasse meus bulldogs. Vc ficou de ver, lembra?

  3. É Dino me emocionei porque tive que fazer o mesmo com a minha basset de 19 anos Giully ate hoje sinto sua falta e me culpava por isso. Ela tinha tumores em suas mamas até que passar o tempo os tumores tbem tomaram conta de seus órgãos fiz uma ultrassonografia o veterinário me disse vc deve ter cuidado muito bem dela pois ela está resistindo muito. É amor demais amo não tive outra escolha tive que sacrifica lá. Chorei muito e pois quando deixei ela sobre a mesa ela me olhava com aquele olhar triste que me dizia não me deixe aqui sozinha por favor mas tive que fazer não tinha outro jeito. Hoje tenho 4 bbasset gosto demais desta raça são inteligentes e amáveis. Sou apaixonada nos meus caozinhos porque a maior alegria deles é quando eu chego em minha casa eles fazem a festa p me recepcionar. Amo tudo isso. E a Giully sempre em meu coração.

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