Com um cão, ninguém pode reclamar de solidão

dogsCerto dia, numa fila do banco, onde muita gente impaciente resmungava os mais diversos assuntos, me vi conversando com uma senhora. Sabe aqueles papos que você nem lembra como começou? Foi assim!

Ela me dizia que havia perdido o marido naquele mês, após um sofrimento quatro anos com mal de Alzheimer. Não estava acostumada a sair de casa e ficar tanto tempo fora, pois tinha horários de remédios para cumprir e ele não podia ficar sozinho. Os filhos cresceram e cada um foi para um lado tocar a suas vidas, e agora ela se sentia sozinha e inútil. Naquele instante me veio a ideia de dizer: “arrume um cão’.

– Um cão? – perguntou

-Sim! Um cão. Ele vai ajuda-la a passar por esta fase. Garanto que terá um ótimo motivo pra voltar para casa.

– Tem razão moço. Para quem cuidou de uma pessoa com Alzheimer, um cão será fácil.

Passado algum tempo, não me lembro quanto, andando pelo calçadão da Praça Barão, ouço uma voz de senhora chamando.

– Moço. Moço. Moço!

Olhei e vi que era comigo, ela então caminhou em minha direção.

– Nossa, moço! Deixa eu te dar um abraço. Lembra aquele dia que conversamos na fila do banco? Pois é, arrumei um cãozinho, um bassezinho, lindo, sapeca e bagunceiro, mas como você disse, ele completou o que eu sentia falta. Alguém que precisasse de mim. Muito obrigada. Agora deixa eu ir, pois tenho que dar comida pra ele”, disse ela, que logo foi embora.

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